Pois é, estamos começando mais um semestre. Mais um período de conversas sociológicas. Depois de 15 anos dando aulas de sociologia, ainda me surpreendo com a distância que essa disciplina pode estabelecer em relação aos não iniciados. Não se trata de uma área distante, esse é o motivo da surpresa. A sociologia fala do dia-a-dia de cada um de nós. Daquilo que nos é mais próximo. Talvez a proximidade provoque o distanciamento. “Tão perto, tão longe”. Gostaria muito de contribuir para que todos superassem esse distanciamento em relação a essa disciplina tão próxima. O nome deste blog tem a ver com esse objetivo. O exercício da “imaginação sociológica” é uma forma de desenvolvermos uma compreensão do mundo com horizontes ampliados. Percebendo como somos criados por uma complexa sociedade global e como ela é, ao mesmo tempo, um produto de nossas ações cotidianas. Esse é o exercício que proponho a cada aluno: observar como a sociedade nos impõe algumas ações e como nós contribuímos para a construção e manutenção da sociedade na qual vivemos. Espero, pelo menos, sensibilizar as pessoas para alguns problemas que enfrentamos em nossa vida diária. O cotidiano, muitas vezes, nos absorve. Mas cada gesto cotidiano está, de alguma forma, interligado a resultados coletivos e complexos. Colocando em prática a “imaginação sociológica”, talvez seja possível compreender melhor essa situação.
Sejam bem-vindos a este blog. Paricipem das discussões. Abaixo de cada post, há um link para os comentários. Vamos construir esse espaço em conjunto, trocando idéias e informações. Aguardo as contribuições de cada um.
Olá a todos, sou cientista da computação, mas todas as ciências me atraem de um modo intermitente. Ora me distraio com as alucinações da filosofia, ora com a presteza da matemática, ora com os comportamentos sociais e, muito pouco, com a formação biológica dos seres.
Acredito este ser o fator da “distância” das pessoas em relação à qualquer ciência: o gosto relacionado com a preguiça. Por um lado todas as ciências são importantes e deveriam ser estudadas, mas cada qual puxa a sardinha para o seu lado. Quando eu vou a um buteco com os amigos e fico 4 horas falando de algoritmos de roteamento, eu não consigo compreender porque as pessoas também são distantes. Acho que tudo pode ser trazido para o dia-a-dia e, por isso, seu argumento não convence. Ou você acha que roteamento está tão distante de nós? Como o seu email chega até seu amigo? Como as empresas de trânsito elaboram as rotas para melhorar o fluxo? Como resolver um problema de congestionamento de aviões? São exemplos simples os quais tais algoritmos de roteamento se encaixam (não valeria uma conversa de 4 horas no buteco?)
Os resultados coletivos mencionados no “post” realmente ajudam a compreender a sociedade, mas quem liga pra isso? Hitler seria um bom exemplo. Líderes em geral assumem direta ou indiretamente um papel de “conhecedores dos comportamentos humanos”. E nem precisa ler os clássicos para se descobrir como conquistar uma menina ou como formar um exército. A simples percepção social lhe dá armas para enganar ou fazer o bem. É simples, mas, repito, quem saber disso?
Agora uma crítica a tão digna aula de Sociologia:
Já tive algumas aulas desta disciplina (no curso de direito o qual comecei a fazer) e percebo o quão inábeis são os professores. Sem generalizações, mas há professores de todo tipo que tentam empurrar as teorias na goela dos alunos como se fossem a perfeição do universo: marxista, weberiana, durkheim, etc. É quase “um espírito baixou em mim” durante as aulas.
Pensar em revolução dos proletários, hoje, é nada mais do que uma revolução dos bichos. Ridícula. Quem ousa questionar isso em uma aula? No mínimo vai perder pontos por falar tamanha insanidade. Na minha visão Marx não percebeu isso, nem seus seguidores. Mas seu papel foi fundamental para a época, não vou negar. (isso daria um post enorme, depois podemos voltar a este ponto) Falar mal de alguém tão idolatrado é como atirar pedras em um santo. Mesmo que as pedras sejam merecidas. Esse é o mal do nosso ensino, principalmente das humanas, as quais trabalham com o subjetivo e as argumentações podem fluir para vários caminhos, diferente da matemática.
Os professores propõem debates, mas não estão aptos a aceitar opiniões inteligentes, pelo simples fato de não estar escrito em nenhum livro ou não ter sido dito por ninguém famoso. Para os alunos é tão difícil perceber a importância da Sociologia, assim como para os professores é impossível aceitar que algumas idéias de famosos são simplesmente idiotas.
é muito difícil nos desgarrarmos do comportamento tecnicista, positivista e pq não tomista, em relação às ciências humanas. Parece que por mais que saibamos da existência das pessoas, componentes da sociedade, e de tudo que a “jovem” Sociologia (ciencias sociais em geral, letras, psicanálise e psicologia…) passou para se diferenciar das ciecias naturais, físicas etc., ainda pensamos como algo exato, distante… exatamente “Tão perto, tão longe”
Obrigado pela visita, Ana. Vou lá no blog do Thiago.
Oi, Lúcia! Obrigado pela visita. Vamos ver se os textos saem…
Oi Guto! Bom ter-te de volta.
Recomendarei seu blog sociológico ao Thiago, que é mestre em Ciência Política e muito se interessa pelo assunto, de repente vocês trocam figurinhas.
Abração.
Já estou por aqui…
Saudações, Guto! Uma felicidade ter seus escritos de volta. Abraços.
é issaí!
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