Estupra, mas não aborta!

Do site G1:

Arcebispo excomunga médicos e parentes de menina que fez aborto

O arcebispo de Olinda e Recife excomungou nesta quarta-feira (4) a mãe, os médicos e outros envolvidos no aborto sofrido por uma menina de 9 anos. Segundo a polícia, o padrastro confessou que abusava da garota. Ele seria o pai dos gêmeos que ela esperava.

Leia a notícia completa no G1.

Diante dessa decisão estapafúrdia, me lembrei do velho Malufão. Para os mais jovens que não sabem do que se trata e para os mais velhos recordarem, um trecho da propaganda eleitoral das eleições presidenciais de 1989.

Dom Sobrinho e dom Maluf, tudo a ver!

2 Responses to “Estupra, mas não aborta!”

  1. Guilherme Ferreira says:

    Eu ainda fazia ciências econômias quando vi este vídeo pela primeira vez! Até hoje dou rizadas e conto para pessoas.. algumas nem acreditam…
    Eu realmente nasci na década errada

  2. Mônica Ribeiro says:

    Pra começo de conversa: todos os excomungados aí da história são católicos? Porque excomungar quer dizer tirar de um dado elemento do grupo que pensa assim ou assado e que faz parte de certa instituição o direito de comungar com as idéias da tal instituição, não? Quer dizer: você tá fora do clubinho! Ou tô errada?

    Para os não católicos que estejam envolvidos na coisa (burocraticamente falando) a coisa não tem (ainda burocraticamente falando, claro) valor nenhum. Mas o valor subjetivo, católicos que sejam ou não os excomungados, é muito mais precioso.

    Se eu fosse católica, pediria ao Dom Sobrinho meu diploma de excomungada, encomendaria a mais linda moldura para um documento que tanto alento traria a minha consciência e o colocaria na parede do meu quarto para todo dia, antes de dormir, lembrar que um dia recebi um atestado de que, pelo menos uma vez na vida, tomei uma atitude que acho correta, que acho que leva em conta o sofrimento de outra(s) pessoa(s) que não eu.

    Porque, por maior que seja meu sofrimento diante de algo assim, é nada perto do sofrimento de quem passou por esse horror, sobretudo a menina e sua irmã. Por isso falei em “sofrimento de outra(s) pessoa(s) QUE NÃO EU”. Meu sofrimento, mesmo que eu chore e me entristeça muito e me arrepie de horror diante do que aconteceu, é um zerinho perto do que passaram sobretudo a menina e sua irmã.

    Ah, o estuprador também ganhou diplominha? Espero que não, pois essa excomunhão é da mais alta honra e o sujeito não a merece. Não merece porque, no caso do estuprador, penso mais em doença mental do que em visão de mundo, consciência, essas coisas. Pelo que li, ele também abusava da irmã da menina, que é doente mental. E dizia que fazia o que fazia porque era “provocado”.

    Sem querer defender o sujeito e sem achar que estou sendo ingênua por conta disso, posso até acreditar (com um pé atrás, certamente) que ele acredita no que diz. Nesse caso não cabe excomunhão porque excomunhão pressupõe oposição a idéias. E, se minha idéia de que o sujeito é doente é certa, o caso é de delírio, e não de idéias, por mais delirantes que idéias possam ser.

    Como temos nossos padrões estabelecidos, com base nesses padrões sociais acho que dá para separar delírio de idéia. No caso do “provocado” pela menina de nove anos e pela de 14 com problemas mentais a coisa parece delírio, mas pode muito bem ser uma idéia muito bem arquitetada. Se bem que duvido da última opção.

    Quanto à honrosa excomunhão, mesmo não sendo católica eu – se estivesse no grupo dos que deram uma diminuída no sofrimento da menina – também pediria ao Dom Sobrinho meu diploma de excomungada.

    Mesmo não comungando com aquilo que se denomina Catolicismo, seria uma honra ter, na minha parede, um atestado oficial de que não comungo com certas idéias.

    E nem teria de ser uma parede pública não. Poderia ser a parede do meu quarto, como eu já disse. Um diploma para eu mostrar sempre para mim mesma, e não necessariamente para os outros.

    Ah, e o Malufão, hein? Olhando a expressão dele no filminho, algo do tipo “o corpo fala”, a gente precisa tira o chapéu pro sujeito. Óleo de peroba é desnecessário no caso dele. Aquilo lá já é madeira curtida, não é madeira verde que pode se vergar diante de certa interferência. Não precisa de peroba, de verniz, de nada. É madeira firme aquela cara dele.

    “Estupra mas não mata”, “rouba mas faz”. Faz um senhor sentido. No caso do Maluf, acho que a gente nem pode falar em cara-de-pau. Cara-de-pau é “antes”, é muito pouco. O caso ali é de cara-de-pedra.

    Espero que os diplomados reivindiquem seus diplomas de excomungados comungados com o enorme sofrimento alheio. Caso queiram, eu até dou de presente a moldura para o documento.

    Terminando, o título do post ficou excelente, assim como o post.