Como mencionado em um post anterior, me chamou a atenção a notícia (via Sociological Images – Lisa Wade) do lançamento do livro “Banal Nationalism” de Michael Billig. O nacionalismo banal seria quase invisível e reproduzido pelas pessoas comuns em sua vida diária. Mais do que as celebrações oficiais e as paradas militares patrioticas, o nacionalismo banal – representado pela bandeira do país exposta no adesivo do carro ao lado, pela menção à nação no dinheiro, pelos nomes de programas de televisão, pelas seleções nacionais e eventos esportivos – seria o responsável pela manutenção do sentimento de pertencer a uma realidade que não é natural, mas abstrata e construída socialmente. 
De acordo com Lisa Wade, os sociólogos criticam o nacionalismo por ele ser uma das causas da lealdade irracional que tornaria as pessoas dispostas a matar e morrer pela nação.
Em seu argumento, Billig assevera que, embora pareça inofensivo à superfície, o nacionalismo banal pode ser mobilizado para se converter em nacionalismo exaltado. O nacionalismo banal não seria, portanto, um tipo brando de nacionalismo, mas o próprio fundamento dos tipos radicais e fanáticos que se fazem presentes nas guerras e conflitos mais violentos.
Não posso julgar o livro, pois não o li. O que me deixou curioso foi a possibilidade de pensar sobre a aplicação da idéia de nacionalismo banal à realidade brasileira. Desde que fiquei sabendo do lançamento do livro, tenho procurado por indícios desse fenômeno nos lugares onde passo. Não vi muitos. Vi uma bandeira do Brasil colada na traseira de um carro-forte. Abaixo da bandeira estava escrito: “AME-O!” A empresa deve ser propriedade de algum ex-militar saudoso da ditaDURA. Vi, na traseira de um carro de passeio, duas bandeiras pequenas – do Brasil e de Minas Gerais – estilizadas, algo que parece ter sido moda há algum tempo. Nas ruas não vi mais do que isso. Existem ainda os programas de tevê que trazem “Brasil” no nome e a TV Brasil.
Temos, é claro, o esporte, nem tanto os olímpicos, mas especialmente o futebol e a seleção brasileira. Todos sabem como o país se torna verde e amarelo durante a copa do mundo. Todos têm o desprazer de assistir às coberturas televisivas, especialmente da Globo e daquele locutor que prefiro não nomear, que elevam à nausea o ufanismo mais estúpido. No entanto, até mesmo esse ufanismo periódico está em decadência, cada vez mais artificial e forçado já que não se baseia em nada de minimamente verossímel. A seleção brasileira torna-se, cada vez mais, um grande mico de parreiras e zagalos.
Existe ainda a esquizofrenia das transmissões da Fórmula 1. O talvez mais globalizado dos negócios esportivos é convertido em epopéia nacional com direito a muitos “Brasiiiiiiil-il-il-il-il-il-il-il-il”… Mas o piloto brasileiro que motiva tantos gritos é apenas uma peça em um engrenagem que do Brasil não tem mais nada.
Enfim, no Brasil, o nacionalismo banal, de tão banal é quase inexistente. Por que?
No livro “A Nova Sociedade Brasileira“, Bernardo Sorj afirma que há uma distância entre a “identidade de ser brasileiro” e os símbolos políticos ou cívicos do Estado. “O Estado brasileiro não teria chegado a construir uma cultura cívica e nacional devido ao abandono do principal intrumento ideológico do Estado: a escola.” Para Sorj, “se, por um lado, o desligamento entre a identidade coletiva de ser brasileiro e os símbolos políticos está associado à falta de instrução e à desigualdade social, por outro permitiu o desenvolvimento de uma cultura não xenófoba e uma vida política pouco permeável a discursos nacionalistas conservadores ou de intolerância”.
Considerando os argumentos de Sorj e sua menção à afirmação de Eric Hobsbawm de que na Europa a escola foi o principal instrumento de construção da ideologia nacional, surge uma dúvida sobre a tese de Michael Billig, que só poderá ser devidamente sanada com a leitura do livro. Na falta do livro, especulemos assim mesmo.
A questão é: de onde vem o nacionalismo banal? Não poderia nascer do nada. Não viria então de um esforço de construção de uma identidade nacional levado adiante pelo Estado por meio de seus intrumentos ideológicos? Nesse caso, cerimônias oficiais, paradas militares, hasteamento da bandeira e execução do hino nas escolas, todos esses rituais cívicos teriam grande importância, pelo menos incialmente. Se esquecidos posteriormente, se considerados de mau gosto em algum momento e substituídos pela versão “light” do nacionalismo banal, não deixariam de ser importantes como fundamentos e raízes sempre prontas a renascer. O nacionalismo banal poderia ser, então, não o próprio fundamento, mas o húmus que preserva em latência o nacionalismo exaltado.
No caso do Brasil, portanto, não seria a ausência do nacionalismo banal que nos faria mais xenófilos do que xenófobos. A falta de um empenho estatal, principalmente por meio da escola, para a construção de uma identidade nacional é que nos teria deixado privados do nacionalismo banal. Sobra-nos assim o nacionalismo da decadente “pátria em chuteiras” que nos acomete de 4 em 4 anos.
Olá, Alex! Pois é, estou tão acostumado a pensar que aqui não exibimos muito a bandeira que não parei para observar. Vou fazer isso. A propósito, tenho uma carteira (de guardar dinheiro e documentos) que tem uma pequena bandeira do Brasil na parte interna. Acha que era exceção, mas será regra?
guto, quanto tempo! estou aqui te lendo tb. adoro o Zé Murilo. estudei com ele no ifcs tb, li todos os livros famosos dele e, alias, o meu preferido é a coletanea de textos de jornal q saiu aí pela editora da ufmg.
e só queria acrescentar o seguinte: um comentário recorrente de estrangeiros em visita ao brasil é que nunca viram um país ostentar tanto sua bandeira – e isso vindo de americanos!! passei a reparar mais e, realmente, não digo que seja mais q nos EUA, mas é um empate técnico, e com certeza, muito acima de qualquer outro país que conheço – com exceção de Cuba, que chega perto, mas tb o país vive um estado de guerra constante. enfim, tb disseram os estrangeiros que a grande diferença tb é que no Brasil a gente *veste* a bandeira!
Caro Carlos,
eu acredito que o fenômeno do nacionalismo poderia ser dividido e estudado em ao menos dois âmbitos. O primeiro normativo, e o segundo descritivo. Por nacionalismo normativo entendo exatamente a busca consciente de construir uma espécie de sentimento nacional através das estruturas e midias sociais existentes, tais como a escola, datas especiais, mitos, etc. No entanto, podemos nos perguntar se realmente o nacionalismo é um sentimento que somente existe se criada artificialmente, onde, no fim, um sentimento nacional somente é possível através de uma busca de criar este. Se esta for a única alternativa, entao poderiámos dizer que nao existe um nacionalismo descritivo, que seria o conjunto de fenômenos do nacionalismo (seja banal ou nao), que nao se baseie em uma busca consciente de sua criacao. O nacionalismo descritivo dependeria toatalmente de um nacionalismo normativo. Assim, seria justo afirmar que o sentimento nacional seria algo “artificial”, pois nao é algo que existiria se um indivíduo ou grupo de indivíduos nao quisesse que existísse.
No entanto, eu nao sei se este seria o único caso. Parsons, p.ex., em sua teoria tinha o conceito de “societal community”, que basicamente seria aquilo que podemos entender da sociedade avaliada enquanto um sub-sistema da sociedade. Uma societal community, de acordo com Parsons, nao poderia existir sem um pano de fundo cultural que unisse todos os grupos da sociedade. Pois se é possível afirmarmos que existem inúmeros grupos sociais de vários níveis, tais como a família, associacoes livres, etc, que acabam também sendo reguladas culturalmente, seria plaúsivel afirmarmos da existência de um grupo ainda maior que se constitui enquanto uma sociedade, ou seja, uma associacao de famílias cuja interacao é regulada culturalmente. É interessante que este conceito de nacao, sociedade, nao impede também afirmarmos que exista, em termos empíricos, algo como uma “sociedade global”. A questao seria somente haver uma espécie de pano de fundo cultural para tao sociedade global – um possível exemplo de crenca global seria os direitos humanos.
No entanto, acredito que existam outros tipos de mecanismos sociais que acabam por fortalecer, ou mesmo gerar, um sentimento nacional de forma natural, um deles eu chamaria de “religiao nacional” e o outro de “exclusao pelo outro”. A religiao nacional seria algo como o surgimento de símbolos nacionais que incorporam os valores compartilhados pela sociedade. Robert Bellah tem um estudo sobre os EUA exatamente sobre o tema. A declaracao da independência, o bill of rights, a constituicao, a bandeira seriam para os americanos mais que simples símbolos nacionais, mas na verdade uma espécie de encorporacoes materiais dos valores culturais, tais como liberdade, justica, dignidade, etc. Ao meu ver, uma religiao nacional seria, em si, uma espécie de produto de uma identidade cultural forte. Já a exclusao do outro seria exatamente o fortalecimento de um grupo social X pela exclusao do grupo social Y porque X possuem uma característica Z. Muitos estudiosos do nacionalismo apontaram para esse ponto, inclusive o Hayek. Hayek, em sua descricao do “caminho da servidao” aponta que um dos momentos é a necessidade de criar um outro. Porém o outro nunca é visto como um outro, mas sim como um outro que nos exclui. A Alemanha nazista conseguiu em muito fortalecer um sentimento nacional ao afirmar que os alemaes sofriam por um ataque direto dos judeus. O judeus também acabaram se fortalecendo cada vez mais seus lacos por isso. A negacao de ser judeus pelos alemaes, e a interpretacao dos alemaes de serem negados enquanto alemaes pelos judeus acabou fortalecendo esse sentimento nacional e de grupo. É so também ver os EUA depois de 11/09 e também o grande surgimento de mulcumanos fundamentalistas como sendo um fenômeno desse nível. É interessante observar que ambos mecânismos, ao meu entender, podem ocorrer naturalmente, como no caso dos EUA e dos judeus, mas também artificialmente, como no caso dos alemaes e também dos EUA.
Eu vejo o problema no Brasil como sendo, pelo menos, (1) uma espécie de um subdesenvolvimento cultural, que nao consegue criar uma identidade cultural societal, e (2) também que os dois mecânismos sociais acima acabaram nao sendo também relevantes ao longo da nossa história.
Desculpas pelo post tao grande.
Abracos,
Daniel
Pois é, Lúcia. Também gostaria de viver em um mundo desnacionalizado. Mas, mais do que utopia, acho que é uma impossibilidade até mesmo “orgânica”. Não me parece fazer parte do programa da espécie humana viver sem algum tipo de demarcação territorial. Veja a globalização, por exemplo. Se por um lado nos faz membros de uma sociedade supranacional, por outro estimula a busca pela e a identificação com as raízes locais.
Thiago, obrigado pelo elogio (apesar do exagero!). O tema do “caráter nacional brasileiro” é mesmo muito interessante. Gosto muito de pensar sobre isso. Sobre o Calligaris, passei a ter preguiça dele depois que passou a ser um “palpiteiro universal”. Não simpatizo muito com quem opina sobre tudo e mais alguma coisa. De qualquer forma, a frase que você citou rende uma discussão, seja para concordar ou discordar.
Olá, Paulo. Os seus comentários são sempre interessantes. Trazer o Nabuco para essa conversa é muito legal. Trata-se, sem dúvida, de um pensador do Brasil dos mais importantes. Sobre os “exemplos de cima”, como eles poderiam ser transmitidos à “plebe”? A escola é um meio. Ainda mais em um tempo em que os meios de comunicação ainda não tinham se desenvolvido muito. Mas concordo com você que nunca houve interesse da elite em criar algum tipo de “comunidade moral” por aqui. Repetidamente e até hoje vemos uma elite olhando admirada e embevecida para fora e com vergonha para dentro. Como se não fosse parte constituinte e essencial do dentro.
Carol! Que bom ver você por aqui! Fale com o seu professor que em termos de construção nacional o Brasil e as nações européias estão muito distantes. Sobre o livro do Sorj, ele não é dedicado ao “nacionalismo brasileiro”. Esse aspecto é tratado em um pequeno trecho. O capítulo do livro em que esse tema é mencionado está disponível no site do Sorj em inglês.
Obrigado pelo comentário, Edson. A identificação de relações de causa e efeito em assuntos humanos é um problema muito difícil! Não tivemos um nacionalismo mais forte porque não tivemos guerras ou não tivemos guerras porque não tivemos um nacionalismo mais forte? As pessoas brigam por melhorias quando são nacionalistas ou o nacionalismo faz com que elas aceitem mais facilmente as justificativas e desculpas do estado para os problemas que já não deveriam mais existir… É muito complicado!
Thiago, quando se refere ao abandono da escola, o Sorj está considerando específicamente o “abandono da escola como intrumento ideológico do estado” para a construção de uma identidade nacional. Nesse caso, não importa se a escola é pública ou privada. O estado poderia editar leis de diretrizes educacionais e curriculares que obrigassem a inclusão de um conteúdo de formação cívica. É claro que não estou dizendo que isso seria bom ou ruim, mas que poderia ser feito. Na verdade, nem sei se seria bom se fôssemos mais ou menos nacionalistas. O fato é que a identidade coletiva brasileira é pouco nacionalista. Com exceção do “nacionalismo esportivo” periódico. De qualquer forma, a falta de interesse dos dirigentes em construir uma identidade nacional coletiva me parece relacionado àquilo que você e o Paulo mencionaram. Tivemos desde o início uma elite que não se sentia parte do Brasil. Uma elite com sentimento de exílio, obrigada a viver entre selvagens. A desigualdade e a segregação estão na nossa origem e na nossa história. A dúvida é: seremos capazes de apagá-la de nosso futuro?
Caro Professor,
Também não li a obra de Bernardo Sorj, mas a questão do “abandono da escola” merece algumas considerações que não sei se ele as aborda. Há uma forte hipótese de não ter sido o abandono da escola em geral e sim sua ratificação para seguir os moldes da igreja católica, da sinagoga, da igreja luterana e da elite brasileira, desse modo, torna-se o principal instrumento para camuflar a luta de classes no Brasil do Estado Novo de Vargas e também complicar mais ainda o conceito de nacionalismo no Brasil. Muito embora Getúlio tenha primado pela ascenção da classe trabalhadora , teve que negociar com os representantes das igrejas, na presença do Ministro Gustavo Capanema, pois era difícil para as religiões monoteístas do Brasil aceitar, à época, o “comunista” Carlos Drummond de Andrade, que estava na Diretoria-Geral do Ministério da Educação e deseja implemantar o ensino fundamental e médio, técnico e superior de caráter universal e gratuito. Podemos concluir desse acordo que ficaram mantidos para as igrejas e para as elites o ensino médio e fundamental, e a Universidade , gratuita e universal para a gerência do Estado. As escolas privadas surgiram anos depois, mas no início do Brasil industrial o ensino fundamental e o controle da família da classe média à alta brasileira se educou nas escolas ligadas à igreja, ordenações etc. Deveras Sorj acertou que a escola foi abandonada, mas sim a escola gerida pelo Estado, pública, universal e gratuita. O nacionalismo ficava por conta dos meios de comunicação. Vemos as recusas dos projetos educacionais de Anísio Teixeira e Paulo Freire e posteriormente a questão dos CIEPs de Darcy Ribeiro. A consequência disso é uma hierarquização e divisão de classes, com herança forte do ideal escravagista e ainda pulsante na República Velha (hoje também) onde a pretensa tolerância de raças e classes só se demonstram em festas populares, assim mesmo, camufladas.
é uma ssunto bem longo.
Esse tema é abordado no livro “A Questão Social no Brasil”, tese de Doutorado pela USP de Gisálio Cerqueira Filho (1982) e também em seu livro “Ideologia do favor & e a Ignorância Simbólica da lei”, do mesmo autor junto com Gizlene Neder
Caro mestre,
Nunca tinha olhado para a falta de identidade através de seus argumentos, os quais, são totalmente pertinentes.
Eu acredito também que, a falta de uma revolução ou guerra, no Brasil, onde o povo tenha saído vitorioso, acabou contribuindo para essa falta de identidade do povo para com sua terra.
Eu acho que o nacionalismo não é de todo mal. Afinal, nos países onde o nacionalismo é mais recorrente, a população briga sempre por melhorias de seu governo e melhorias para o bem estar coletivo.
Abrçs
Edson.
Eu outro dia estava pensando sobre isso na minha aula de Politica. O assunto do dia era nacionalismo. O meu professor perguntou se no Brasil era como na Europa. Eu disse que não e ele ficou assustado.
Gostaria de ler o livro do Bernardo Sorj, mas não tem na biblioteca da minha faculdade. Eu sempre considerei que o motivo que os europeus (em geral), são tão ligados ao nacionalismo é por causa das guerras e pela eterna defesa de territorio que eles tinham que fazer desde mil e bolinha. Mas nunca tinha visto pelo esse lado da escola.
Interessante.
Olá,
Esses dias li “Minha Formação”, do Joaquim Nabuco.
É interessante destacar alguns trechos.
Num dado momento Nabuco pensa sobre que Nações ele salvaria, se houvessse alguma hecatombe. Ele pensa nos franceses. Em segundo lugar, talvez, os ingleses.
Mas ele NÃO salvaria os brasileiros.
Em outro momento ele rememora os poemas que escreveu em sua juventude. Todos em francês, que, aliás, ele define como sua primeira língua – o português seria apenas uma tradução do francês em seus pensamentos.
O livro tem vários momentos assim…
Bem, talvez não tenha sido a falta de aparelhos ideológicos (como a escola) que dificultou o estabelecimento de um nacionalismo brasileiro.
É mais provável que tenham faltado modelos – e nesses casos, os modelos vêm de cima.
O nacionalismo sempre pode ser detectado como parte de um projeto de Nação – e esse projeto sempre é moldado por algum tipo de elite (quer seja a elite prussiana, ou a elite da dos revolucionários da França).
No Brasil, porém, nossa elite sempre olhou para fora – sempre desejou ser de fora.
Assim, nos faltaram, também, projetos de Nação que envolvessem amá-la.
Faltou no século XIX e faltou no século XX.
Agora, no século XXI, talvez seja tarde.
Talvez, por isso, as demonstrações de furor nacional só ocorram em relação a um esporte popular e não propriamente em relação às terras em que canta o sabiá.
Caro Professor, Todo comentário ao seu excelente artigo será insuficiente se não gerar um ensaio sobre esse tema tão pulsante nos brasileiros. De tão complexo que é o estudo de nossa formação social, ainda vem à tona essa questão apesar dos brilhantes trabalhos de Darcy Ribeiro, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, Celso Furtado e muitos outros – acredito ser isso uma grandeza nossa. Entretanto, creio que há menos no Brasil uma identidade nacional do que uma identidade social, classista. O nacionalismo banal é nossa própria posição acrítica ou passiva, por mais que tentemos participar das discussões políticas, conforme fazemos neste espaço e aplicando em nossas áreas de estudo e trabalho. Ganha ares de nacionalismo somente em eventos lúdicos que camuflam efetivamente nosso preconceito herdado dos anos de colonialismo e do Brasil independente do Império e da República. Bem, seu artigo já nos explica muita coisa e estimula outras divagações, mas gostaria de contribuir com o que o psicanalista italiano, radicado no Brasil, Contardo Calligaris, conclui em seu livro “Hello, Brasil!”, dentre outras coisas, que o Brasil é, ainda, demais para os brasileiros, assim como quando elogiamos uma mulher. é demais porque é demasiado bom! Basta percebemos isso…
Guto, sei q é uma utopia, mas sonho com o dia em que não haverá mais bandeiras. Nenhuma. O mundo sem nacionalismo algum, seja ele banal ou exaltado. Ou melhor, com apenas um tipo: nacionalismo global. Todos pela Terra inteira, apenas.
(Essa é utopia MESMO.)