O retorno do feriado é, como sempre, marcado pelas notícias sobre as estatísticas de acidentes de trânsito, quilometragens de engarrafamentos e transtornos nas rodoviárias. Alguns criticam o fato de que a imprensa sempre repete o mesmo noticiário nas mesmas datas. Mas a falta de criatividade dos jornais não seria correspondente à falta de criatividade das pessoas, que se comportam de uma forma insistentemente regular?
Bom, minha estatística de retorno do feriado se resume a um número. Dez dias sem postar. Meu feriado foi de trabalho. Correção de provas e exercícios. A internet ficou em segundo plano. Poucos dias de menor freqüência à internet tiveram como efeito mais notável a multiplicação de itens não lidos no Google Reader. Não vou escrever sobre a quantidade cada vez maior de informações que recebemos em intervalos de tempo cada vez menores porque seria chover no molhado. Vai longe o tempo em que um jornal impresso diário durava um dia inteiro. Antigamente, quando ainda assinava jornais, costuma chegar em casa no final da noite e levar o jornal do dia para ler na cama, antes de dormir. Não tenho mais esse hábito. Evito receber papel natimorto em casa há um bom tempo. Melhor seria levar o notebook ou o celular, mas não levo nenhum dos dois e tenho dormido desatualizado.
Hoje pela manhã, quando passava as folhas de um jornal impresso que circula em Minas Gerais, pensei na validade cada vez mais limitada das informações nos dias atuais. Folheava o “caderno de informática” e me surpreendi com a sobrevivência da velha e boa coluna de perguntas e respostas sobre problemas com computadores. Alguém perguntava: “Instalei o programa “x” e a minha máquina enlouqueceu, travou tudo, etc, etc.” O técnico dava uma resposta qualquer.
Quem, nessas alturas do campeonato, insiste em resolver dúvidas de informática por meio de cartas (emails, na verdade) para um jornal? O caderno de informática é semanal. Caso o freguês tenha sorte de ver a sua pergunta respondida, vai esperar vários dias. Considerando que a consulta tenha sido feita por email, o que explica a decisão de mandar uma mensagem, que talvez nem seja respondida, em vez de digitar a dúvida no Google? Será que alguma daquelas perguntas foi enviada por meio de uma obsoleta carta de papel, escrita com caneta esferográfica e com um selo postal colado com cuspe? Duvido.
Enfim, volto do feriado de trabalho com essa pergunta um tanto ociosa: quem são esse usuários de computadores que perguntam ao colunista do jornal porque o Windows deu mais um pau e ficam uma semana esperando pela resposta?