Drogas

O Daniel pediu a minha opinião sobre as “drogas”. Para começar a pensar no assunto, vale assistir ao vídeo do lêmure drogadicto:

Encontrei o vídeo no Rainha Vermelha. O Átila escreveu: “Já vi animais comerem presas venenosas por necessidade, mas esses lêmures não estão comendo os piolhos-de-cobra, estão apenas mordendo para ter contato com as toxinas que o animal libera. Quem diria, lêmures drogados!

Considerar a existência do fenômeno da drogadicção na natureza pode ser uma forma de identificar e mensurar com maior precisão as concepções morais presentes nos debates públicos sobre o “problema das drogas”.

4 Responses to “Drogas”

  1. Flavia says:

    Sou fumante e logo estarei sob a nova lei Serra. O problema é que aquele que consome drogas não é só a adulteração psíquica que elas promovem, mas o vício. Gosto de fumar, mas por que a nicotina adultera. Só que fumo mesmo se não quizer, por que sou viciada. É muito duro parar. Muitas vezes sou obrigada a ir num puta frio fora de um edifício para consumir o meu fix. É uma bosta, mas acredito que as pessoas não precisam fumar comigo. Agora, essa nova lei Serra, passa a me tratar como criminosa, e não como viciada, coitada que sou.

  2. [...] morais presentes nos debates públicos sobre o “problema das drogas”. … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

  3. Carlos Magalhaes says:

    Daniel, não fiquei, de modo algum, chateado com a sua proposta. O assunto me interessa muito. Sobre as outras perguntas do seu comentário anterior, responderei em breve por email.

    Abraço.

  4. Daniel V. says:

    Caro Carlos,

    É muito interessante realmente a questao da alteracao da consciência através de meios “artificiais”. Se nao me engano, gatos também adoram uma planta, cujo nome me falta, que os fazem entrar em um estado completamente alterado. Hehehe!

    Achei também interessante como você colocou certas palavras entre aspas, pois a própria acepcao da palavra “drogas”, atualmente, remete à algo propriamente ruim, que deve ser condenado socialmente. Quando em termos reais, o nosso corpo é talvez o mais eficiente meio de producao de substâncias capazes de alterar nossa própria consciência, ou simplesmente nos deixar em um estado eufórico.

    Porém, fico imaginando se essa questao realmente nao é maior que somente a questao moral, ou seja, em relacao ao julgamento de bom/mau ou certo/errado. Pois a conjuncao entre drogas-errado é já em si uma avaliacao cultural, e nesse sentido nao poderiámos ir além no debate. Se nao me engano teve um pesquisador, nao me lembro do nome, que buscou mostrar a funcao das drogas, sejam legais ou nao, no contexto social enquanto substâncias que acabam por construir uma espécie de “harmonia” artificial entre aqueles que compartilham dessa mesma substância. Assim, drogas teriam uma funcao social de “apazigamento”, pois elas induzem à uma espécie de comunhao social, primeiro, por naturalmente induzir os indivíduos à um estágio de euforia onde eles sao capazes de se conectarem mais facilmente com outros, e, segundo, pela própria substância acabar sendo o centro de um tipo de ritual que acaba trazendo os participantes à uma comunhao. Quantas religioes nao comecaram por algum tipo de propriedade que induz à alucinacoes e sensacao de bem-estar? Em um sentido bem descritivo e em uma perspectiva funcionalista, drogas na realidade possuem uma funcao, e muitas coisas que nao seriam descritas como drogas (ex: comidas e bebidas), se encaixariam claramente em tais contextos.

    Em um contexto de sociologia economica, poderiámos claramente afirmar que há uma necessidade do consumo de tais substâncias, pois nesse caso em específico sem tal necessidade de consumo, nao haveria um mercado. Lembro do Luhmann criticando Durkheim acerca da conexao moral-trabalho, sobre a existência de um mercado chinês de roubo de bicicletas, e que tal mercado nao era algo inesperado, pois era algo que todos os chineses conviviam, e meio que possuíam espectativas normativas frente a ele (ainda que pudessem criticá-lo). Assim, espectativas normativas nao poderiam ser necessariamente conectadas à espectativas morais, mas à espectativas de comportamentos sociais de facto.

    Agora, realmente em termos de discussoes públicas acerca das drogas, vemos os mais diversos tipos de afirmacoes, em sua grande maioria moral. Mas vejo que poucos buscam realmente entender o fenômeno de forma descritiva, associando sempre à questoes de moralidade, ou de anomia.

    Abracos,

    Daniel

    PS: Me pareceu que você ficou um pouco chateado com a minha proposta. Espero que nao. Pois realmente gostaria de ver essa questao analisada por um sociologo que lida com o fenômeno do crime. De qualquer forma, fica aqui minhas desculpas.