Você se lembra DA Rádio Relógio? DA e não DO rádio relógio? Considerando que muitos entram na faculdade com 17 anos, no ano que vem terei alunos nascidos em 1993. Ano em que iniciei o mestrado! Para mim, a experiência do evelhecimento já começou. Estou neste planeta há longos 39 anos. Dia desses falei numa aula, advertindo por antecipação que se tratava de uma lembrança de tempos distantes, sobre a Rádio Relógio. Uma aluna respondeu que já tinha ouvido falar DO rádio relógio, sucessor moderno do velho relógio despertador. Quando me vi explicando que não falava de um dos gadgets comuns nos anos 90, mas de uma estação de rádio que se dedicava a transmitir a hora certa durante as 24 horas do dia, percebi que sou mesmo pré-histórico.
Os alunos arregalaram os olhos e duvidaram da existência de uma estação de rádio como a Rádio Relógio. Se você, leitor, já ouviu a Rádio Relógio, não se iluda. Jovem você não é.
Ultimamente, quandos os alunos me cobram uma promessa esquecida (enviar um email, entregar um texto, etc.) digo que minha memória foi uploudada para o google. “Só me lembro do que está no google”. “Um sociólogo francês que viveu entre o século dezenove e o início do vinte? O primeiro nome é Émile? Espere que vou ver no google”. A Rádio Relógio CONFUNDE ATÉ O GOOGLE! Pesquisando por “rádio relógio”, os resultados são todos sobre um dos principais gadgets dos anos 1990 (lembra dos modelos que vinham com slot para uma bateria de 9 volts que evitava a parada do device por falta de energia elétrica?). Para achar a rádio no google, é preciso incluir alguma referência aos anos 1970.
E o resultado entristece. A outrora pública Rádio Relógio é hoje propriedade do Missionário R. R. Soares. Ouça um trecho das tramissões da Rádio Relógio.
Pois é. Depois que o Hermenauta nos apresentou o blog do bispo Macedo, ninguém pode me acusar de ser implicante com a religião (veja as idéias simpáticas do bispo sobre a Índia). Não implico apenas ou especificamente com a religião. Implico com os engolidores da pílula azul. A imaginação sociológica demanda a pílula vermelha. As religiões intitucionalizadas vendem a pílula azul (lembre-se fiel, o dízimo é sobre o bruto. Deus não tem culpa de o governo meter a mão primeiro no seu salário. Engraçado esse Deus onipotente que perde para a Receita Federal). O RR meter a mão na Rádio Relógio é apenas uma confirmação. É claro que a Rádio Relógio não tinha nenhum conteúdo emancipador, não é esse o ponto. O ponto é a sopa tomada pelas beiradas. Enquanto a maioria está atenta ao que não merece atenção.
O fato é que sou, cada vez mais, assembleista.
Mônica
Nossa essa mulher é fantastica bjosss linda!!!!
Quando criaça morava em Cachoiro de Itapemirim e na rua Samuel Levi tinha um senhor que consertava relogios,quando a relojoaria dele esta fechada eu sentava na calçada para ouvir a radio relogio do Brasil do Rio de Janeiro hoje tenho 43 anos e tenho muitas saudades.
Eu sou de 1984 e lembro de ouvir, quando criança (óbvio), a Radio Relógio Federal. E ne por isso eu me sinto um “velho”.
Eu sou de 1984 e ouvi a Rádio Relógio quando criança (óbvio), e não sou “velho”.
Ouví muito a Rádio Relógio do Rio de Janeiro no final dos anos 70. Eu adorava ouvi-la. Aqui em Santos começava a pegar melhor à noite. Foi lá que ouví que os cães só enxergam em preto e branco.
Bia, pelo que investiguei, o recebido POR FORA deve ser recolhido POR FORA. Vai para o caixa 2 de Deus, pois ele também tem pendências não contabilizadas.
até túlio?
:>)
uma questã: tem que pagar o dízimo do que recebemos POR FORA também?
;>)
Fico muito contente de constatar que o movimento assembleista não pára de crescer. Viva Dr. Wotsernaym!
Eu já tô quase nos 38 – você sabe – mas, ao contrário de você, eu sou jovem. Tá bom que isso é picaretagem minha pra dar uma de Pollyanna (caramba… eu li Pollyanna! Sou velha mesmo!) e dizer que, já que tenho uma cabeça muito menos culta do que a sua, tô aqui com o cérebro jovem, fresquinho, sem o acúmulo de informações que, por mais que varie na velocidade em que acontece, indica certa idade.
Se bem que vou admitir: sou uma envelhecente lerda mesmo. Isso tudo aí em cima foi pra dizer que eu não conhecia a Rádio Relógio, a RR que atualmente pertence a esse tal RR. Acho até que você já me falou dA RR. Só que, velhinha que sou, tô esquecendo tanto as coisas… Então, meu conhecimento de hora informada o tempo todo não passa do ralé 130.
Só sei que, apesar de adepta da crença que se intitula “Conspiração dos Genes Malvados e Egoístas” como explicação da vida, adorei a Cosmogonia Assembleista. Será que os “genes malvados e egoístas” são, na verdade, os tais políticos dessa Assembléia?
Numa coisa eu garanto que os parlamentares genes concordam, e garanto isso por conta das minhas incansáveis pesquisas científicas: o que vale é levar os genes adiante, e os tais seres vivos são os meios de transporte dos genes. São os burros de carga dos famigerados. Olha como são cruéis os motoristas genes: o carro enguiçou? Troca por um zero. Não existe oficina no mundo dos genes.
Só que, como a Assembléia é múltipla, como cada um tem um gosto e como gosto não se discute, são vários os modelos de viatura-viva disponíveis.
Agora, tem uma coisa que não sei: será que sou uma viatura Ferrari como pensa a maioria das viaturas humanas? Sei não… Acho que somos apenas mais enfeitadinhos. Talvez a viatura vírus (pra citar uma das muitas) seja mais bem elaborada. Ela carrega seus proprietários genes com uma senhora competência. Carrinho pequeno mas danadinho…
Nós, humanos, eu acho que somos daqueles carros cheios de acessórios de fábrica, metidos a besta, pesados e, claro, beberrões. Haja uísque (combustível caro, né?) pra nos fazer sair do lugar.
Mas é isso. No quesito nomenclatura, nossos parlamentares da Cosmogonia Assembleista eu chamo de genes.
O gene modelo vírus pega carona conosco e com outras viaturas (adoro a palavra “viatura”), economizam combustível quando usam nossa energia pra se propagar (pense na força de um espirro ou de uma esporr… você entendeu) e, como são pequenininhos, cumprem bem sua função, já que os parlamentares que carregam são anões. Aliás, já ouvi a palavra “anão” associada a parlamentares. Onde será que foi? Tô ficando velha e minha memória tá curta.
Mas olha: me diverti pacas com seu post, com a entrevista do Dr. Patrick Wotsernaym (meu guru!), com esse jeito divertido de pensar no espanto desta nossa existência que é mesmo um espanto.