Ótimos posts

[Texto editado para corrigir erros de digitação. Inserir links e tornar alguns pontos mais claros]

De ontem para hoje, alguns ótimos posts foram publicados. Gostaria de recomendá-los.

Começo com os dois posts da Lúcia (links: post 1post 2) sobre a indústria farmacêutica. Não é sempre que podemos ler as considerações de quem entende de um assunto. O tema dos medicamentos me interessa (principalmente, mas não só por isso) porque diz respeito ao consumo de “drogas”. A paranóia sobre as drogas ilícitas, além de outros prejuízos, contribui para a invisibilidade do problema do consumo das drogas lícitas. Os ansiolíticos, por exemplo, têm sido receitados e usados com enorme facilidade. Não sou especialista e, portanto, não posso avaliar os possíveis danos à saúde causados por essa liberalidade. Mas a ausência de discussão sobre esses danos me deixa intrigado. Se tanta energia é dedicada aos danos à saúde causados pelas drogas ilícitas, por que quase nenhuma é empregada em relação às drogas lícitas? Em tempos de incentivo ao dedo-durismo, não são curiosos os comerciais de Neosaldina? O medicamento, cujo componente principal – a dipirona – não figura entre os mais  inocentes, é apresentado como um Confeti. Por que não voltar ao anúncio dos “cigarros índios“, do início do século XX? (A propósito, Marinol é o medicamento americano feito a partir do THC).

Anúncio do início do século XX - revista Gazeta Médica

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Como de costume, o Idelber desnuda a indigência intelectual da mais recente mobilização política da “república Ipanema-Morumbi-Belvedere”: Não reeleja ninguém. Não há necessidade de falar mais nada depois do post do Idelber. Nas últimas eleições, votei em branco para deputado federal. Mas tomei essa decisão depois de pensar bastante e chegar à conclusão de que o nosso sistema proporcional combinado com as alianças espúrias é esquizofrênico. Minha decisão atual é votar em eleições proporcionais apenas quando forem proibidas as coligações. Não quero votar em um nome, ou mesmo em uma legenda, sabendo que meu voto ajuda a eleger um energúmeno qualquer do PMDB. Por que os paladinos da “moralzinha na política” não propõem um debate sobre as regras das eleições proporcionais? “Putz, mas assim vamos ter que descobrir quais são as regras atuais! Fazemos tantas coisas! Não temos tempo…”

Como dou aulas para seres humanos que cometem, sem nenhum pudor, o desrespeito de terem nascido no ano de 1992, tenho me ocupado de mostrar que uma denúncia veiculada pela Globo não é, por definição, uma denúncia. Uma enganação muito sedutora, tento alertar, é aquela que apresenta o voto (ou o não-voto) como a maior arma do cidadão. Muito boa essa “arma” (boa pra quem?) que, como se não bastasse o longo intervalo de 4 anos, é  ainda controlada pelo dinheiro e pelo “marketing político”. POLÍTICO NÃO É PRODUTO! Uma campanha com esse slogan não seria mais apropriada que os “cansaços” que andam por aí? Por que não reivindicar uma regulamentação da propaganda política que exclua a contratação de artistas populares, a utilização de “efeitos especiais” e a teledramaturgia?

Por último, mas não menos importante, destaco o post do Rafael sobre o Twitter. Tenho considerado a possibilidade de entrar no tal Twitter. Mas tenho resistido. Os argumentos do Rafael são relevantes. Pra que tantas informações se não conseguimos processá-las? Tenho me policiado também para não embarcar numa fala do tipo “como era bom o meu tempo”. Se tenho me policiado, é evidente que o problema está posto. Os números da minha biografia já estão atingindo valores demasiadamente elevados. Moro em Belo Horizonte há 20 anos. Não é pouco. Minhas referências biográficas estão ficando avantajadas. Freqüento a internet, quase diariamente, desde 1997, quando comprei um avançadíssimo Pentium MMX 200 para substituir o meu valente 386 SX 40. Mas, apesar da idade que não pára de avançar, não tenho saudades dos tempos pré-eletrônicos da minha infância/adolescência. Não sinto a falta da máquina de escrever ou das fichas de orelhão. Meu novo vício, por exemplo, é um smartphone com um pacote de dados 3G. Já sinto dificuldade de usar um desktop que exige uma mesa só para ele e fica preso a um lugar da casa.  Carrego a internet no bolso para qualquer lugar.  E daí? Preciso/precisamos disso?  É possível escapar disso hoje? Mesmo utilizando essa parafernalha toda, cabe questionar o significado dessa overdose de conectividade.

Só uma conclusão (entre várias possíveis): a vida inteligente hoje não está, exclusivamente, impressa em papel. Ainda que o papel não seja, por enquanto, imprescindível, já não é mais, obviamente, suficiente.

2 Responses to “Ótimos posts”

  1. Carlos Magalhaes says:

    Lúcia, também acho que as farmacêuticas impedem a discussão do tema.

  2. Lucia Malla says:

    Guto, também me questiono o mesmo sobre as drogas lícitas. Ninguém olha com o devido “carinho” para a questão – o lobby das farmacêuticas não deixa, provavelmente.