Sou feliz por ser ateu ou entrando na guerra dos adesivos (armado)

Demorou, mas chegou! Não sou mais um silencioso espectador da batalha que se trava nas ruas de Belo Horizonte. Tenho voz.  O peixe darwinista está grudado na traseira do meu carro. Os engarrafamentos já não são os mesmos. Se o ar condicionado e o pendrive de 8 gigas espetado no aparelho de som já me desestressavam, ganho agora a sensação reconfortante de dirigir um panfleto, um carro-manifesto.

Peixe evolucionista

Peixe evolucionista

Comprei aqui. Pouco mais de 10 dólares, com o envio. Aguardo o alistamento de novos soldados no exército da ciência!

Para quem não acompanhou: começocontinuação

10 Responses to “Sou feliz por ser ateu ou entrando na guerra dos adesivos (armado)”

  1. Não tenho carro (nem gosto mto de carros, para falar a verdade). Mesmo assim, sou obrigado a dizer: a campanha tem todo o meu apoio.

  2. Helbert says:

    Bom o adesivo me fez lembrar a recente propaganda da Volkswagem sobre o Space Fox, que tem um cachorro-peixe.
    Achei interessante o comentário do Flávio, mas me desculpe, se eu fosse o policial iria querer verificar até a certidão de nascimento da mãe do sujeito, pois infelizmente já fui vitima de um soldado do Senhor, que era meu funcionário.

  3. Rodrigo says:

    3 palavras: “Aonde eu compro?”

    Guto, se é que isso é possível, eu sou meio ateu. Por que eu não sei exatemente o que sou. Não sou católico, isso já percebi. Não sou totalmente espírita, mas acho várias explicações legais.
    Qualquer que seja minha crença, sei que Em Darwin, eu creio. Na minha cabeça (talvez seja esse o problema) Darwin não inviabiliza Deus. Ou Deus não inviabiliza Darwin, sei lá.
    ———————-

    Rodrigo, comprei aqui.

  4. Carlos says:

    Seu ENERGÚMENO.

    Não existe a palavra “GIGAS”… Seja menos retardado e corrija o Post.

    Tem mais é que trabalhar em carpintaria e obras.

    O correto é “GIGA”. Não existe Plural.

    —————————————-

    Obrigado pela correção e pelo energúmeno, xará. Não conheço essa palavra, mas imagino que seja um elogio. Quanto ao “gigas”, prefiro o errado. Sobre trabalhar em carpintaria e obras, não entendi a sua referência. Você considera essas profissões inferiores?

  5. Flavia says:

    Fabio, sabe que eu nem tinha pensado nisso? Tem razão. São os entremeios entre a cidadania e o “sabe com quem você está falando” que um dos antropólogos, não me lembro… Darci Ribeiro? Roberto da Matta? falou num livro com um nome desses. Cuidado Carlos, se você estiver sendo mais parado que o normal, desconfie.

    Carlos, gosto de pessoas que provocam, como você. Aliás, as postagens neste blog me fazem refletir sobre tantas coisas, e mais os comentários também, como o do Fábio. Pensar com muitas cabeças é sempre mais interessante. E Viva o Darwin verdadeiro, Abaixo Dawkins, o cão.

  6. Fábio says:

    Fábio :Car(l)o(s) Magalhães,
    A análise que faço desses adesivos ultrapassa um pouco questões meramente religiosas.
    Na qualidade de pedestre, ao ver carros com mensagens divinas a sensação que experimento é a de que essas pessoas querem mesmo é elevarem seu status, e ainda se declararem moralmente superiores. Se acham puros e melhores que o “resto”.
    E o pior é que essa adesão ao adesivo as vezes funciona.
    Numa blitz policial, por exemplo, as chances de um policial de “Deus” sinalizar para que tal veículo pare a fim de se verificar documentação, etc, é muito menor em relação a outro veículo de um outro que não tenha o padrão de qualidade Jesus Cristo.
    Ainda no exemplo de cima, ainda que o policial não seja um homem de “Deus”, a mesma fórmula se faz aplicar, isso graças ao esteriótico moral que a mensagem divina traz à maioria da população.
    Abraço.

    Esteriótipo*

  7. Carlos Magalhaes says:

    Flávia, seus comentários não estragam a festa, não! Participam dela. Quero é provocar mesmo. O título do post é só uma paródia com o adesivo “Sou feliz por ser católico”. Não sou feliz por ser ateu, nem infeliz e nem sei se sou ateu. Às vezes sou. Mas outras vezes acredito até em mau olhado (inclusive, um adesivo da Pomba Gira não seria má idéia). O que me diverte é que num mar de “Deus é Fiel”, “Igreja Batista da Lagoinha”, “Ser de Deus é ótimo”, “Sou feliz por ser católico”, “Sou abençoado”, peixinhos e tercinhos com a Aparecida dentro agora tem também o meu peixe com patas. Acho que a maioria dos que vêem não entende. Dos que entendem, uns não gostam e outros gostam e se divertem também. Seja o que for, tá valendo. A militância do Dawkins me chateia. Se você for nos primeiros posts deste blog vai ver que andei metendo o pau nele. A minha militância adesiva não levo tão a sério. É mais um desabafo bem humorado contra a baranguice do fundamentalismo religioso.

  8. Flavia says:

    É muito divertido, Carlos, ficar por aqui. Mas espero que essa minha personalidade ácida e ranzinza não estrague a festa.

    O Darwin é legal. A auto-biografia dele é um livreto minúsculo. Vale a pena ler, para desfazer qualquer noção que eu tenha passado de que usar o adesivo seja ruim. Vou te ensinar como é que meus amigos fazem comigo: “Flavia, vai se fu…”

  9. Flavia says:

    É, Mônica, concordo. Nem sempre se é feliz por seu ateu. Eu, por exemplo, consigo entender que num mundo cão como este, achar que existe um deus, que ele zela por minzinha (que de outra forma seria apenas uma massa biológica, um apêndice do tal do gene egoísta, jogado no turbilhão da luta pela existência, e cujo pensamento, sentimento, essa coisa toda que eu sinto ser minha alma, aquilo que eu tenho de mais valioso, desaparecerá por completo e que não tem, ademais, nenhuma relevância para a sobrevivência do gene mais apto… eu entendo que as pessoas se confortem contra este mundo cão na idéia de que sua alma permanecerá num além-vida, por que existe um deus).
    Eu, infelizmente, e para a minha falta de conforto mental, tenho certeza de que a minha alma morrerá junto ao meu corpo (e espero que seja num fulminante ataque do coração, não num câncer que me corroa por anos). Agnóstica não sou. Agnóstico é aquele que tem este julgamento suspenso: deus existe? Se a resposta é “não sei”, “não tem importância, sei lá”, “pode ser que sim, pode ser que não”, você é agnóstico. Ateu é quem decidiu que a resposta é não.
    Gostei do adesivo: não diz que eu seja feliz por ser atéia, mas claro, cada um tem sua razão para ser ateu. Não vou me alongar nisso, um post enorme que eu iria reproduzir aqui http://flaviabrites.blogspot.com/2009/03/manifesto-espiritual-de-uma.html#links

    Estou ainda à procura de um adesivo que diga mais ou menos isto: Primeira Guerra Mundial, XXX mortos, Segunda, XXXXXXX mortos, África, desde tal data, XXXXXXXXXXXXXX mortos. Acho que podemos concluir que não há um deus zelando por nós. Esse eu colava com um bruto orgulho na minha moto, mesmo que tivesse que colar a moto inteira, por ser longo.

    Darwin, darwin… Gosto do Darwin – ele mesmo. Li a origem das espécies e sua auto-biografia. Ele parece ter sido um cara legal. Meu problema – desculpe, não quero estragar a felicidade com o adesivo, mas deu pra perceber que eu sou aquela chata que vê problema em tudo, eu sei, não quero ser desmancha prazeres… Putaquipariu, né, Carlos, você pagou 10 dólis e tudo… Vou dizer que o Darwin é muito legal, mas quase ninguém lê. Ele mesmo é gente finíssima, e deveria ser resgatado dessa direita que ganhou a batalha pelo ideologismo de fundo biologista. Ele devia ser resgatado pela esquerda, contra Dawkins e a favor de Jay Gold, que já morreu, mas que em vida, travou esta batalha e perdeu dentro do campo da biologia.
    Quase fui socióloga da ciência. Um dia, quem sabe… num futuro muito muito distante, pois decidi que a minha única saída era tentar ser socióloga do cinema, por enquanto. Foi a razão por que eu não fiz pós logo depois da graduação. Imagine você numa faculdade de Comunicação, tentando explicar que a ciência das palavras era ideológica, ninguém entendia bem qual era a sua e tinha pelo menos uns cinco professores pra te apedrejar, pois eles acham que a ciência das letras é santa e acima dos homens. Foi mais ou menos isso comigo na faculdade de sociologia: eu tentando explicar o que é um campo que existe desde os anos 70 (grande boom do campo de Social Studies of Science), pra pessoas que só achavam pertinente o estudo de sindicatos, e todos me mandavam ir falar com o inimigo – professores da casa que defendem o biologismo ideológico e cuja leitura básica para nos anos 60. Não deu.

  10. Mônica says:

    Se um dia comprarmos um segundo carro, você sabe que vai ter de me dar de presente uma logomarca tão genial como essa, né? Não digo que sou feliz por ser atéia. Na verdade, sou uma agnóstica espantada diante da existência, do mundo, da vida, de eu existir e essa coisa toda. Se bem que, quanto ao conceito humano de “Deus”, no tanto de história que inventaram pra tentar entender o que a gente não entende e que acho que nunca vamos entender, tenho que fazer coro com você e dizer que SOU FELIZ POR SER ATÉIA. E sei que essa figurinha do peixinho com pernas do Darwin é pra lá de genial.