COISAS ESTRANHAS II

As coisas estranhas continuam ocorrendo. Agora a bagaça do dashboard só funciona no Opera. Uma coisa que já não me alegra nem um pouco é mexer em templates e configurações de site/blog. Já foi o tempo em que ficava lendo livros de “HTML para dummies” (essa é, inclusive, uma das antiguidades impressas em papel que prentendo usar para acender a minha futura churrasqueira) com o prosaico objetivo de  fazer páginas cheias de gifs animados. Como já disseram, nada tão antigo como o passado recente. Então, buscando o mais simples, esperando que a simplicidade devolva a funcionalidade ao dashboard, apliquei o tema default do Wordpress. Ainda não resolveu. Mas, após vários anos de mexidas toscas na web, acredito piamente que o melhor remédio para esses códigos voluntariosos é uma boa noite de sono. Amanhã tudo deve voltar ao normal. Espero.

6 Responses to “COISAS ESTRANHAS II”

  1. Flavia says:

    leia-se balizadas (não baleadas, freud explica).

    Vamos sim, Carlos, fazer parcerias. Já fazemos, de certa forma. E admiro o espírito de independencia nas pessoas. Issaí, tem que aprender a lidar co wordpress, mano!

  2. Flavia says:

    Estou pensando em usar o how to think like a sociologist como material de aula, mas vai precisar de uma certa preparação psicológica, que já estou a fazer.
    Como a coisa é entre professores, vou registrar aqui algo que me ocorreu, assim você será guardião desta minha história, que não coloco no Algodão para que os alunos não dêem com ela (creio que precisam mais reflexão, antes que achem que estou a manipulá-los). Guarda ela pra mim? (assim como eu guardo a história do Avô do Maurício (comentário em http://algodao.algumlugar.net/2009/05/e-viva-sao-carlos-viva-dom-helder/)

    Dia 10 foi o dia após os ocorridos bisonhos com os estudantes da USP e eu sentada na frente do computador de manhã a pensar na passeata que sairia naquele dia bem na hora de minha aula – estava aflita: como é que eu ia conseguir dar aula com o coração na mão, sabendo que estudantes levavam cacetada, bomba e gás mostarda? Decidi cancelar. Mandei um e-mail breve que acabava assim, mais ou menos “prefiro ir levar bomba com os alunos”
    A passeata acabou não saindo. Era a chuva. Mas fiquei por lá, descobri o site de greve deles, e do youtube, que linkei no Algodão, e ajudei no que pude, enquanto ia conhecendo as pessoas e reconhecendo outros ex-alunos.
    Descobri também que o CEGE (o CA da Geografia) tem uma rádio comunitária. Ouvi em primeira mão as histórias de quem estava lá – até a tiazinha do cachorro quente e o povo do xerox.

    Dois dias depois eu tinha aula com os mesmos alunos com quem cancelara – são alunos do Instituto de Física. Imaginava que eles iam me perguntar “levou paulada? E aí?” Então vesti por cima do agasalho a camiseta que os alunos da FFLCH iam pintando, enquanto o carro de som deixava que as pessoas se inscrevessem para falar o que achavam, contar suas histórias ligadas ao evento e passar informes. Pensei em dar uma aula de conversação sobre a TV. Levantar questões e colocar defensores da TV e defensores da sociedade civil e fazer que eles fizessem um pouco de teatro. Cheguei, parei a moto, estava a me esperar um dos alunos, notei uma cara enfezada e brinquei “é.. não me satisfizeram a vontade masoquista… nem teve passeata…” e o aluno começou a dizer que era absurdo o que esse povo da FFLCH fazia, que eles gostavam de apanhar.

    Nesse momento percebi que estava “in hot water”. Decidi fumar um cigarro enquanto conversava e ao mesmo tempo decidia um plano B. Entrei e vi que eles todos evitavam de olhar para mim, e prolongavam a conversa entre eles, uma situação tensa. Esta parte eu comecei a falar em inglês com eles. Pedi a sua atenção e olhei para eles, eles me perguntavam “how are you?” com uma entonação de irritação. Eu encolhi os ombros. Bem como se pode… Me desculpei por ter cancelado, e falei que ia tirar a camiseta, pois notava que a coisa despertava afetos, mas que a gente não precisa concordar em tudo, pois que há muitas coisas que nos une (nós temos uma boa relação) nos une e muito além do mero fato de eu estar lá pra dar aula de inglês pra eles.
    Disse também que ia improvisar aquela aula, pois o que eu tinha preparado, sobre TV, que seria bom pra conversação, e para o tipo de redação que pede o TOEFL e o IELTS (pois pede este tipo de argumentação, com bastante frequencia sobre TV, entre os múltiplos assuntos, e pede argumentos e exemplos, para o qual eles não precisam de conhecimentos internacionais, falar do Brasil é tão válido quanto falar da Inglaterra). Então retomei phrasal verbs que eles já tinham aprendido, para jogarmos um jogo, e acabaram surgindo dúvidas sobre a diferença entre alguns dos vocábulos. Eu ia explicando, mas usando exemplos que mostravam como cada qual de seu lugar social tem uma percepção particular de outras pessoas. Falei do filme the Bubble, estória de amor e ódio entre israelenses e palestinos que tem uma tomada muito mais humana sobre o assunto, pois discute essa questão: como cada qual dos personagens tem uma apreensão limitada das coisas pelo seu próprio lugar social. Íamos falando todos daqueles phrasal verbs e eu ia botando as histórias de apreensão da realidade quase naturalmente, pois sou usuária deste tipo particular de entorpecente que é a imaginação sociológica (não se dizia sobre o entorpecente nos anos 70 que ele “abria a cabeça”?).

    Mais interessante que tudo isso: eles percebiam o que eu estava fazendo, que estava dando aula de inglês e ao mesmo tempo introduzindo questões sociológicas e abriam sorrisos pra mim. Juro: até agora esta experiência me arrebata e enche os olhos de lágrimas. Na hora, tive que fazer de conta que não via, pra não chorar em sala.
    A aula foi gostosa, bastante conversativa. Eles aprenderam inglês e talvez algo mais.

    Na saída sempre acendo um cigarro antes de pegar a moto, do lado de fora do prédio, e naquele dia não poderia ser diferente. Eles se juntaram a mim, agora para conversar sobre os eventos na frente da reitoria. Colocavam sim, argumentos espalhados pela mídia, rumores maldosos em que acreditam e generalizações pouco baleadas pela imaginação sociológica, mas agora, queriam conversar, e também me ouviram.

  3. Carlos Magalhaes says:

    Flávia, antes de mais nada, muito obrigado, de verdade, a você e seu marido. Vou pensar na oferta “com carinho” (como deveria corrigir as provas segundo os pedidos dos meus alunos ). Mas queria resolver esses bugs primeiro. Vou aproveitar os dias mais folgados para estudar um pouco sobre o wordpress. Gosto de ser auto-suficiente nessas coisas. De qualquer forma, gosto muito da idéia de desenvolvermos uma parceria blogueira e além em torno da “imaginação sociológica” tão necessária e ausente nos dias atuais. Vi que você gostou do “How to think like a sociologist”. Muito legal, né? É esse tipo de abordagem e a possibilidade de falar disso que me anima a continuar nessa profissão de maluco.

  4. Carlos Magalhaes says:

    Flávia, as coisas estão funcionando mais ou menos no blog, mas estão. Eu é que estou demorando para voltar. Final de semestre. Provas e mais provas para corrigir. Gosto de aplicar e corrigir em seguida, com as provas ainda “quentes”. Além disso, as ocupações relacionadas à mudança. Telefone, internet, tv a cabo, conta de energia, do apartamento que vendi e da casa que comprei. Fora a procura por móveis. De qualquer forma, estou supersatisfeito com o lugar que achei para morar. Exatamente o que queria. Sossego. Silêncio. Aos poucos vou retornando.

  5. Flavia says:

    Carlos, conversei com o marido, e se vc quizer, ele disse que podemos oferecer o espaço do algumlugar.net, que é nosso, e tá sub-utilizado, sem problemas. Um dia fazemos uma encomenda quando você viajar pro canadá pra me trazer maple sirup e estamos conversados (caso você se sinta obrigado a algo…, mas na verdade, não precisa)

    O algumlugar.net é só um espaço. lá estão pendurados o meu blog e o do paulo, e eu vou sempre estar com um projeto que não sai nem no papel de fazer meu currículo de pro particular (que já guarda 11 anos de experiência e nenhum currículo que informe os novos pretendentes a alunos de meus trabalhos e experiências no ramo do tudo e mais alguma coisa que é a aula particular voltada para os objetivos específicos de cada aluno), e mesmo isso ocuparia um espaço michinho, de visitação pequeníssima.

    Então é isso. Talvez isso resolva o problema todo, e fornecemos toda a estrutura que já temos – nosso template, que é o mesmo que vc usava, os plug-ins e as dicas de como se defender de spans pelo template mesmo.

  6. Flavia says:

    pucha, fico aqui super ansiosa, com essa ansiedade própria do sofrimento humano moderno, com essa sua batalha. Quero o Imaginação Sociológica no ar!

    Aimeudeus, jesuis (mesmo uma marxista atéia não consegue cortar suas amarras com a terrinha lusa de seus pais e avós, então perdoe os palavrões)

    Se eu puder ajudar de alguma forma… diz que eu tento.

    Ah, que legal!!! o subscribe-to-comments apareceu!!! Você é liiiindoooo!!!