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	<title>Comments on: Quase uma década</title>
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	<description>Apenas um blog meio... meio...?  sociológico!</description>
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		<title>By: Paulo</title>
		<link>http://www.carlosmagalhaes.com.br/archives/935/comment-page-1#comment-781</link>
		<dc:creator>Paulo</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 13:48:22 +0000</pubDate>
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		<description>O selvagem já foi bom e ingênuo, mas, na verdade, estava sendo apenas idealizado e/ou servindo como instrumento retórico de crítica.

Será que ainda precisamos usar os &quot;selvagens&quot; assim?

Abraços,

Paulo 
(filho de um paraibano mecânico de automóveis e de uma dona de casa, mas que, pra desgosto da mãe, fez doutorado - ela ainda acha que eu devia ter feito algo mais útil)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>O selvagem já foi bom e ingênuo, mas, na verdade, estava sendo apenas idealizado e/ou servindo como instrumento retórico de crítica.</p>
<p>Será que ainda precisamos usar os &#8220;selvagens&#8221; assim?</p>
<p>Abraços,</p>
<p>Paulo<br />
(filho de um paraibano mecânico de automóveis e de uma dona de casa, mas que, pra desgosto da mãe, fez doutorado &#8211; ela ainda acha que eu devia ter feito algo mais útil)</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Só para não ser apócrifa &#171; Algodão Hidrófilo</title>
		<link>http://www.carlosmagalhaes.com.br/archives/935/comment-page-1#comment-759</link>
		<dc:creator>Só para não ser apócrifa &#171; Algodão Hidrófilo</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2009 20:19:10 +0000</pubDate>
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		<description>[...] continua no Imaginação Sociológica [...]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] continua no Imaginação Sociológica [...]</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Carlos Magalhaes</title>
		<link>http://www.carlosmagalhaes.com.br/archives/935/comment-page-1#comment-648</link>
		<dc:creator>Carlos Magalhaes</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 02:56:01 +0000</pubDate>
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		<description>Putz, Flávia! É covardia! Eu aqui no meu recesso e você faz um comentário excelente. Quase rompi o recesso. Mas esperei a vontade passar. Vamos por aí, &quot;dando a volta ao dia em 80 mundos&quot;, como diria o Cortazar!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Putz, Flávia! É covardia! Eu aqui no meu recesso e você faz um comentário excelente. Quase rompi o recesso. Mas esperei a vontade passar. Vamos por aí, &#8220;dando a volta ao dia em 80 mundos&#8221;, como diria o Cortazar!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Flavia</title>
		<link>http://www.carlosmagalhaes.com.br/archives/935/comment-page-1#comment-647</link>
		<dc:creator>Flavia</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2009 12:57:55 +0000</pubDate>
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		<description>Outro dia me dei conta de como fui 

preconceituosa com meus pais, gente 

simples que não acompanha a minha 

elaboração conceitual. A grande 

elaboração conceitual que me põe acima 

dos demais mortais, me pos acima do 

dialogo com a gente simples que são meus 

pais. 

Como toda arte, toda arte, não só a 

denominada boa, o conto de Cortazar fala 

sobre muitas coisas - se falasse só sobre 

uma seria ele mesmo uma tese esquecida 

numa prateleira, ou colada com cimento 

construiría-se com ela um muro entre os 

que podem ter compreenção e os que não, 

pois não é assim o muro que construímos, 

ao inves de botar o conhecimento em uso 

para gerar mais questionamentos - 

inclusive entre os que re-passam algum 

conhecimento, seja ele uma tese, uma 

noticia de jornal ou um quadro naive, há 

sempre questionamentos a serem retirados 

do naive - questionamentos para si e para 

os outros. Quando se milita a imaginação 

sociologica é essa uma atitude 

intrínseca.

Militar pela imaginação sociologica é 

militar pelo dialogo primeiramente. 

Disso, me parece, (tambem) fala o conto 

de Cortazar: o livro em si, fechado, como 

se fosse um tijolo, não é mais que um 

tijolo com os quais o acadêmico crê 

contruir algo chamado conhecimento. 

Quando o conhecimento, o questionamento, 

a proposição de questões para tudo aquilo 

que faz parte da vida (e que se supõe 

meramente ingênuo por não estar num livro 

ou num museu)... quando o pensar não flui 

entre os atores sociais, ele se 

transforma em tijolo, denominado livro. E 

é tão inutil essa &quot;construção de 

conhecimentos&quot; (e tão estanque quanto o 

tijolo) que ela serviria apenas como um 

objeto inanimado com o qual se constroi 

casaas e muros entre os seres humanos.

Mas tambem, pensando Cortazar de outra 

forma, se damos vida ao conhecimento, 

tanto o que está nos livros - pois o 

leitor, qualquer leitor, é que dá 

&quot;anima&quot;, alma ou vida a ele, quando lê 

não só para si como para o outro, quando 

o comenta e lança novas questões a partir 

dele - mas tambem pensemos no 

conhecimento que circula por entre os 

livros, na conversa de todos com todos, 

no e-mail, no orkut e no twiter, no 

encontro entre ser super-letrado e seus 

pais simplórios, podemos pensar nesses 

livros do conto como a construção de uma 

nova sociedade baseada nesse diálogo que 

da outra vida aos próprios livros, que 

transbordam para alem dos muros da 

biblioteca (onde estão guardados sem que 

a eles se dê um significado reformador de 

nossa sociedade) onde, parados dentro 

dela, são inuteis, e pensemos na metafora 

dos livros que transbordam para fora dos 

muros, e com eles se constrói hospitais, 

casas, etc. Militar pela imaginação 

sociologica é militar pela reciclagem: 

que o questionamento que nos leva à 

biblioteca parta do twiter, que esse 

questionamento já nasça vivo do twiter, 

por estar ligado diretamente ao trivial 

das nossas vidas, o trivial que deixamos 

escapar por entre os dedos por achar que 

só dentro dos muros de uma biblioteca 

estão as questões reais, o trivial que se 

deixarmos de ver como triial, nos induz 

ao questionamento e nos leva a re-animar 

o livro morto de dentro da biblioteca, 

nos leva a associar as coisas de outra 

maneira e é construtor de pontes, com 

livros, com twiter, com orkut, entre os 

homens.

Nossa sociedade se fundamenta sobre 

idéias, assim como no conto de Cortazar 

(aqui, lançando outra especulação). É 

possível que Cortazar esteja também 

(creio que sim) dizendo isso. Pensemos em 

livros como metáforas de ideias. 

Inclusive, algumas dessas ideias são tão 

fortes que não re-abrimos os livros 

(orkutes e twiters) à procura de uma 

outra e mais outra interpretação. Dessa 

forma, na metáfora, as ideias que 

cimentam o conhecimento são - na metafora 

de Cortazar - o próprio cimento que 

transforma o livro em tijolo, pois o 

mantém fechado, como uma peça não-fluida 

de uma grande construção que pode ser 

denominada tanto de conhecimento, como de 

&quot;as coisas como elas realmente são&quot;. E o 

conhecimento, ao invés de se tornar um 

fluido pensar que circula nas veias da 

nossa sociedade, torna-se em tijolo e 

cimento, com o qual contruímos uma idéia 

dura que podemos chamar de ideologia, 

pensamento hegemônico ou mesmo de 

preconceito, segundo o ângulo com a qual 

o fenômeno analisamos. 

Entre as idéias-cimento estão as noções 

de indivíduo e, mais cimento que isso, a 

ideia de gênio. Dali, por exemplo, é um 

gênio. Com isso se separa Dali do resto 

da humanidade, o que é irônico e perverso 

com Dali. Pois se justamente podemos 

pensar que Dali foi uma pessoa sem 

preconceitos artísticos - se fosse, não 

teria criado o novo, que se tornou ruína, 

ou peça de museu, o que é irônico - pois 

é menos mérito de uma genialidade de um 

Dali que se configura como indivíduo Dali 

separado - como indivíduo - de sua 

sociedade da qual tirou outras 

interpretações para a peça trivial de seu 

tempo (como o relogio, a marcação do 

tempo tanto questionado pela fisica 

einsteiniana, quanto peça fundamental da 

medida de mais valia capitalista, mas 

ainda assim coisa trivialíssima, como  a 

paisagem natural, como a luz do sol que 

marcava a hora de Deus do trabalho pré-

capitalista, e para a qual já não 

olhamos). Dali, muito menos mérito seu, 

como gênio, que possibilidade de dialogo 

entre o presente e o futuro, entre a 

tradição fechada no museu, como ruína e

monumento - como sua re-leitura de Hieronimus Bosh, que Dali re-anima e re-significa - e o 

futuro, uma arte pop, o novo, o cinema e 

as possibilidades que se abrem deste para 

o futuro - o movimento do cinema dentro 

da obra estanque que é a pintura. Os 

relogios escorrem e se movimentam em sua 

obra. 
Não é perverso com uma obra que 

realizou tais dialogos com o trivial de 

seu tempo, que deu vida e transbordou 

tanto para alem do meio imóvel (o da 

pintura) quanto para fora da academia de 

artes imovel, ou do museu, não é irônico que ele proprio, um adepto radical da despadronização,tenhha ele mesmo virado um padrão que sirva para medir o que é e o que não é arte?

Voltando ao meu pai, foi preciso que eu tivesse 34 anos e que ele esteja a morrer de morte lenta, já perdidas muitas das faculdades que só é possível alcançar pela re-memoração, para que eu fosse capaz de deixar a minha empáfia acadêmica, a minha torre de marfim, para que ele realizasse de modo sublime essa obra que me ensinou uma grande lição: ontem no Sesc carregava ele pela mão, como um ser que necessita de amparo, pois está sob o alzeimer, e nos deparamos com uma exposição: instrumentos musicais encaaixados dentro da pedra. Ele me faz uma pergunta vinda daqquele poço profundo da história de uma vila chamada campo de víboras, da historia de um homem que veio para o novo mundo a procura de algo, uma pergunta carregada de naivité (penso hoje que se deva valorizar a ingenuidade, pois ela se põe contra o preconceito e abre espaço para a elocubração, e por isso é a ferramenta básica do antropólogo na construção de uma outra especie de conhecimento) e eu me permiti deixar fluir as interpretações acerca dos instrumentos na pedra: que o som se propaga pelo ar, e da forma como estão as peças musicais estão meio no ar, meio na pedra, que a pedra pode também representar o cimentamento da música, como se fora uma relíquia, morte e não vida; mas que o trabalho do artista é como que o de resgatar esse fóssil da pedra; o fóssil mesmo, que tem o seu valor não no ser vivo, trivial, enclausurado na pedra, mas como re-descoberta, pois é resgatado da pedra, o que nos fala sobre o valor não daquilo que existe, mas daquilo que e perdido e é redescoberto e que pela re-descoberta ganha um novo significado. E que, por fim, tudo isso pode não ter nada a ver com a intenção original do artista, mas que é assim a arte (assim como o conhecimento livresco e como o que se possa encontrar no twitter), que ganha novas vidaas e significações a partir do espectador (e do leitor, e do conversador), pois a obra é coisa morta, reavivada pela imaginação dos outros.
Assim tambem é o post, que ganha novas vidas pelo comentário, pois ele seria morto e não geraria nunca este texto se não fosse pelo encontro entre Carlos, Daniel, Cortazar re-descoberto, Mônica, Dali retirado da pedra, o pombo, o orkut como construção humana, e eu, que agradeço a todos e a meu pai por ter sido capaz muito mais do que eu de manter seus ouvidos ingênuos sempre abertos ao novo, quando eu tinha olhos, ouvidos e boca fechados.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia me dei conta de como fui </p>
<p>preconceituosa com meus pais, gente </p>
<p>simples que não acompanha a minha </p>
<p>elaboração conceitual. A grande </p>
<p>elaboração conceitual que me põe acima </p>
<p>dos demais mortais, me pos acima do </p>
<p>dialogo com a gente simples que são meus </p>
<p>pais. </p>
<p>Como toda arte, toda arte, não só a </p>
<p>denominada boa, o conto de Cortazar fala </p>
<p>sobre muitas coisas &#8211; se falasse só sobre </p>
<p>uma seria ele mesmo uma tese esquecida </p>
<p>numa prateleira, ou colada com cimento </p>
<p>construiría-se com ela um muro entre os </p>
<p>que podem ter compreenção e os que não, </p>
<p>pois não é assim o muro que construímos, </p>
<p>ao inves de botar o conhecimento em uso </p>
<p>para gerar mais questionamentos &#8211; </p>
<p>inclusive entre os que re-passam algum </p>
<p>conhecimento, seja ele uma tese, uma </p>
<p>noticia de jornal ou um quadro naive, há </p>
<p>sempre questionamentos a serem retirados </p>
<p>do naive &#8211; questionamentos para si e para </p>
<p>os outros. Quando se milita a imaginação </p>
<p>sociologica é essa uma atitude </p>
<p>intrínseca.</p>
<p>Militar pela imaginação sociologica é </p>
<p>militar pelo dialogo primeiramente. </p>
<p>Disso, me parece, (tambem) fala o conto </p>
<p>de Cortazar: o livro em si, fechado, como </p>
<p>se fosse um tijolo, não é mais que um </p>
<p>tijolo com os quais o acadêmico crê </p>
<p>contruir algo chamado conhecimento. </p>
<p>Quando o conhecimento, o questionamento, </p>
<p>a proposição de questões para tudo aquilo </p>
<p>que faz parte da vida (e que se supõe </p>
<p>meramente ingênuo por não estar num livro </p>
<p>ou num museu)&#8230; quando o pensar não flui </p>
<p>entre os atores sociais, ele se </p>
<p>transforma em tijolo, denominado livro. E </p>
<p>é tão inutil essa &#8220;construção de </p>
<p>conhecimentos&#8221; (e tão estanque quanto o </p>
<p>tijolo) que ela serviria apenas como um </p>
<p>objeto inanimado com o qual se constroi </p>
<p>casaas e muros entre os seres humanos.</p>
<p>Mas tambem, pensando Cortazar de outra </p>
<p>forma, se damos vida ao conhecimento, </p>
<p>tanto o que está nos livros &#8211; pois o </p>
<p>leitor, qualquer leitor, é que dá </p>
<p>&#8220;anima&#8221;, alma ou vida a ele, quando lê </p>
<p>não só para si como para o outro, quando </p>
<p>o comenta e lança novas questões a partir </p>
<p>dele &#8211; mas tambem pensemos no </p>
<p>conhecimento que circula por entre os </p>
<p>livros, na conversa de todos com todos, </p>
<p>no e-mail, no orkut e no twiter, no </p>
<p>encontro entre ser super-letrado e seus </p>
<p>pais simplórios, podemos pensar nesses </p>
<p>livros do conto como a construção de uma </p>
<p>nova sociedade baseada nesse diálogo que </p>
<p>da outra vida aos próprios livros, que </p>
<p>transbordam para alem dos muros da </p>
<p>biblioteca (onde estão guardados sem que </p>
<p>a eles se dê um significado reformador de </p>
<p>nossa sociedade) onde, parados dentro </p>
<p>dela, são inuteis, e pensemos na metafora </p>
<p>dos livros que transbordam para fora dos </p>
<p>muros, e com eles se constrói hospitais, </p>
<p>casas, etc. Militar pela imaginação </p>
<p>sociologica é militar pela reciclagem: </p>
<p>que o questionamento que nos leva à </p>
<p>biblioteca parta do twiter, que esse </p>
<p>questionamento já nasça vivo do twiter, </p>
<p>por estar ligado diretamente ao trivial </p>
<p>das nossas vidas, o trivial que deixamos </p>
<p>escapar por entre os dedos por achar que </p>
<p>só dentro dos muros de uma biblioteca </p>
<p>estão as questões reais, o trivial que se </p>
<p>deixarmos de ver como triial, nos induz </p>
<p>ao questionamento e nos leva a re-animar </p>
<p>o livro morto de dentro da biblioteca, </p>
<p>nos leva a associar as coisas de outra </p>
<p>maneira e é construtor de pontes, com </p>
<p>livros, com twiter, com orkut, entre os </p>
<p>homens.</p>
<p>Nossa sociedade se fundamenta sobre </p>
<p>idéias, assim como no conto de Cortazar </p>
<p>(aqui, lançando outra especulação). É </p>
<p>possível que Cortazar esteja também </p>
<p>(creio que sim) dizendo isso. Pensemos em </p>
<p>livros como metáforas de ideias. </p>
<p>Inclusive, algumas dessas ideias são tão </p>
<p>fortes que não re-abrimos os livros </p>
<p>(orkutes e twiters) à procura de uma </p>
<p>outra e mais outra interpretação. Dessa </p>
<p>forma, na metáfora, as ideias que </p>
<p>cimentam o conhecimento são &#8211; na metafora </p>
<p>de Cortazar &#8211; o próprio cimento que </p>
<p>transforma o livro em tijolo, pois o </p>
<p>mantém fechado, como uma peça não-fluida </p>
<p>de uma grande construção que pode ser </p>
<p>denominada tanto de conhecimento, como de </p>
<p>&#8220;as coisas como elas realmente são&#8221;. E o </p>
<p>conhecimento, ao invés de se tornar um </p>
<p>fluido pensar que circula nas veias da </p>
<p>nossa sociedade, torna-se em tijolo e </p>
<p>cimento, com o qual contruímos uma idéia </p>
<p>dura que podemos chamar de ideologia, </p>
<p>pensamento hegemônico ou mesmo de </p>
<p>preconceito, segundo o ângulo com a qual </p>
<p>o fenômeno analisamos. </p>
<p>Entre as idéias-cimento estão as noções </p>
<p>de indivíduo e, mais cimento que isso, a </p>
<p>ideia de gênio. Dali, por exemplo, é um </p>
<p>gênio. Com isso se separa Dali do resto </p>
<p>da humanidade, o que é irônico e perverso </p>
<p>com Dali. Pois se justamente podemos </p>
<p>pensar que Dali foi uma pessoa sem </p>
<p>preconceitos artísticos &#8211; se fosse, não </p>
<p>teria criado o novo, que se tornou ruína, </p>
<p>ou peça de museu, o que é irônico &#8211; pois </p>
<p>é menos mérito de uma genialidade de um </p>
<p>Dali que se configura como indivíduo Dali </p>
<p>separado &#8211; como indivíduo &#8211; de sua </p>
<p>sociedade da qual tirou outras </p>
<p>interpretações para a peça trivial de seu </p>
<p>tempo (como o relogio, a marcação do </p>
<p>tempo tanto questionado pela fisica </p>
<p>einsteiniana, quanto peça fundamental da </p>
<p>medida de mais valia capitalista, mas </p>
<p>ainda assim coisa trivialíssima, como  a </p>
<p>paisagem natural, como a luz do sol que </p>
<p>marcava a hora de Deus do trabalho pré-</p>
<p>capitalista, e para a qual já não </p>
<p>olhamos). Dali, muito menos mérito seu, </p>
<p>como gênio, que possibilidade de dialogo </p>
<p>entre o presente e o futuro, entre a </p>
<p>tradição fechada no museu, como ruína e</p>
<p>monumento &#8211; como sua re-leitura de Hieronimus Bosh, que Dali re-anima e re-significa &#8211; e o </p>
<p>futuro, uma arte pop, o novo, o cinema e </p>
<p>as possibilidades que se abrem deste para </p>
<p>o futuro &#8211; o movimento do cinema dentro </p>
<p>da obra estanque que é a pintura. Os </p>
<p>relogios escorrem e se movimentam em sua </p>
<p>obra.<br />
Não é perverso com uma obra que </p>
<p>realizou tais dialogos com o trivial de </p>
<p>seu tempo, que deu vida e transbordou </p>
<p>tanto para alem do meio imóvel (o da </p>
<p>pintura) quanto para fora da academia de </p>
<p>artes imovel, ou do museu, não é irônico que ele proprio, um adepto radical da despadronização,tenhha ele mesmo virado um padrão que sirva para medir o que é e o que não é arte?</p>
<p>Voltando ao meu pai, foi preciso que eu tivesse 34 anos e que ele esteja a morrer de morte lenta, já perdidas muitas das faculdades que só é possível alcançar pela re-memoração, para que eu fosse capaz de deixar a minha empáfia acadêmica, a minha torre de marfim, para que ele realizasse de modo sublime essa obra que me ensinou uma grande lição: ontem no Sesc carregava ele pela mão, como um ser que necessita de amparo, pois está sob o alzeimer, e nos deparamos com uma exposição: instrumentos musicais encaaixados dentro da pedra. Ele me faz uma pergunta vinda daqquele poço profundo da história de uma vila chamada campo de víboras, da historia de um homem que veio para o novo mundo a procura de algo, uma pergunta carregada de naivité (penso hoje que se deva valorizar a ingenuidade, pois ela se põe contra o preconceito e abre espaço para a elocubração, e por isso é a ferramenta básica do antropólogo na construção de uma outra especie de conhecimento) e eu me permiti deixar fluir as interpretações acerca dos instrumentos na pedra: que o som se propaga pelo ar, e da forma como estão as peças musicais estão meio no ar, meio na pedra, que a pedra pode também representar o cimentamento da música, como se fora uma relíquia, morte e não vida; mas que o trabalho do artista é como que o de resgatar esse fóssil da pedra; o fóssil mesmo, que tem o seu valor não no ser vivo, trivial, enclausurado na pedra, mas como re-descoberta, pois é resgatado da pedra, o que nos fala sobre o valor não daquilo que existe, mas daquilo que e perdido e é redescoberto e que pela re-descoberta ganha um novo significado. E que, por fim, tudo isso pode não ter nada a ver com a intenção original do artista, mas que é assim a arte (assim como o conhecimento livresco e como o que se possa encontrar no twitter), que ganha novas vidaas e significações a partir do espectador (e do leitor, e do conversador), pois a obra é coisa morta, reavivada pela imaginação dos outros.<br />
Assim tambem é o post, que ganha novas vidas pelo comentário, pois ele seria morto e não geraria nunca este texto se não fosse pelo encontro entre Carlos, Daniel, Cortazar re-descoberto, Mônica, Dali retirado da pedra, o pombo, o orkut como construção humana, e eu, que agradeço a todos e a meu pai por ter sido capaz muito mais do que eu de manter seus ouvidos ingênuos sempre abertos ao novo, quando eu tinha olhos, ouvidos e boca fechados.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>By: Mônica</title>
		<link>http://www.carlosmagalhaes.com.br/archives/935/comment-page-1#comment-637</link>
		<dc:creator>Mônica</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 22:55:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.carlosmagalhaes.com.br/?p=935#comment-637</guid>
		<description>Pois é, Paulo... Os pombos-correio não são consumidores de informação. Sã meros propagadores analfabetos (ainda não conheci um pombo que soubesse ler) de informações. Aliás, nem são informações às vezes. São palavras bestas, amontoadas, coisas que no fundo (ou mesmo no raso) não dizem nada.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Pois é, Paulo&#8230; Os pombos-correio não são consumidores de informação. Sã meros propagadores analfabetos (ainda não conheci um pombo que soubesse ler) de informações. Aliás, nem são informações às vezes. São palavras bestas, amontoadas, coisas que no fundo (ou mesmo no raso) não dizem nada.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>By: Paulo</title>
		<link>http://www.carlosmagalhaes.com.br/archives/935/comment-page-1#comment-625</link>
		<dc:creator>Paulo</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2009 16:27:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.carlosmagalhaes.com.br/?p=935#comment-625</guid>
		<description>Olá,

Acho que o Carlos pegou num ponto muito interessante: a incrível disponibilidade de textos (textos são &quot;informação&quot;?) e a incrível incapacidade de dialogar com esses textos por parte da maioria de seus consumidores.

Como resolver isso?

Bem, primeiro, isso é um problema? Ou, no fundo, apenas reproduz de modo grotesco a mesma realidade de letramento restrito das sociedades pré-imprensa?

Senão, vejamos, naquelas sociedades, os produtores e consumidores de textos formavam um grupo muito coeso, afinal, representavam um percentual pequeno da população. 

Na nossa, os produtores e os efetivos consumidores também representam um grupo muito pequeno. A maioria, apesar de alfabetizada (se muito) não é letrada. Usa a escrita como um instrumento rudimentar de comunicação, mas não consome os textos que lhe estão disponíveis (daí o sucesso do twitter, facebook, orkut... - que são instrumentos de comunicação e não de efetivo consumo de textos ou informação [entendo informação como acesso, análise e produção de novos dados e não meramente &quot;copy &amp; paste&quot; de palavras numa tela para outra]).

Se a Mônica me permite, os &quot;pombos-correio&quot; não consomem informação - apenas representam um novo tipo de analfabetismo (ou &quot;iletramento&quot;).

Assim, não percebo nenhuma revolução na forma de produzir conhecimento. Este ainda será produzido dentro das pequenas comunidades de especialistas, únicos capazes de efetivamente consumir os textos que seus pares produzem. 
O resto, vai repetir palavras [e imagens] como fazem os papagaios.

O analfabetismo apenas mudou de cara.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá,</p>
<p>Acho que o Carlos pegou num ponto muito interessante: a incrível disponibilidade de textos (textos são &#8220;informação&#8221;?) e a incrível incapacidade de dialogar com esses textos por parte da maioria de seus consumidores.</p>
<p>Como resolver isso?</p>
<p>Bem, primeiro, isso é um problema? Ou, no fundo, apenas reproduz de modo grotesco a mesma realidade de letramento restrito das sociedades pré-imprensa?</p>
<p>Senão, vejamos, naquelas sociedades, os produtores e consumidores de textos formavam um grupo muito coeso, afinal, representavam um percentual pequeno da população. </p>
<p>Na nossa, os produtores e os efetivos consumidores também representam um grupo muito pequeno. A maioria, apesar de alfabetizada (se muito) não é letrada. Usa a escrita como um instrumento rudimentar de comunicação, mas não consome os textos que lhe estão disponíveis (daí o sucesso do twitter, facebook, orkut&#8230; &#8211; que são instrumentos de comunicação e não de efetivo consumo de textos ou informação [entendo informação como acesso, análise e produção de novos dados e não meramente "copy &amp; paste" de palavras numa tela para outra]).</p>
<p>Se a Mônica me permite, os &#8220;pombos-correio&#8221; não consomem informação &#8211; apenas representam um novo tipo de analfabetismo (ou &#8220;iletramento&#8221;).</p>
<p>Assim, não percebo nenhuma revolução na forma de produzir conhecimento. Este ainda será produzido dentro das pequenas comunidades de especialistas, únicos capazes de efetivamente consumir os textos que seus pares produzem.<br />
O resto, vai repetir palavras [e imagens] como fazem os papagaios.</p>
<p>O analfabetismo apenas mudou de cara.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>By: Mônica</title>
		<link>http://www.carlosmagalhaes.com.br/archives/935/comment-page-1#comment-622</link>
		<dc:creator>Mônica</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2009 17:02:01 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.carlosmagalhaes.com.br/?p=935#comment-622</guid>
		<description>Eu acho tudo isso muito embasbacante. Um tantão de informação e um tantão de gente virando pombo-correio de informações. Isso sem falar que a tecnologia instalou nesses pombinhos um motor além da capacidade supersônica mas esqueceu de instalar um computador de bordo.

Pombo-correio é o bichinho que pega o recadinho e entrega o papelzinho em certo endereço. E só. Pombo-correio sabe ler? Não. Se você contar pra ele o que tá escrito no papelzinho que ele carrega o bichinho entende a história? Claro que não.

Mas os bichinhos estão velozes que só. Não há computador de bordo, pois são veículos supersônicos com um centro de comando movido por carro de boi.

Quer ver um exemplo? Outro dia recebi um email modelo &quot;forward/PPS&quot; que tinha como título algo como &quot;a genial arte de Salvador Dali&quot;. Infelizmente apaguei o email, pois é uma boa ilustração de como são esses pombinhos supersônicos.

Cliquei no PPS que o Forward me mandou e fui vendo as pinturas. Umas coisas breguíssimas, metidas a surrealismo. Havia também umas coisas moralistas ambientalistas, um quadro mostrando um sujeito varrendo pra debaixo do tapete-mar um monte de lixo.

Tá bom que pode ser uma imagem que fala sobre a devastação da natureza e tal. Mas era baranguérrima a figura.

A figura que me mandou o email passou pra frente umas figuras que achou interessantes e pronto. A autoria das figuras era atribuída ao Dali. E pronto e só. 

O incrível é que os quadros eram assinados. Havia o nome do autor naquele cantinho inferior direito. Cada grupo de imagens tinha um nome no cantinho inferior direito. Os nomes iguais combinavam com pinturas com jeitões iguais.

Agora é que vem: nenhuma das assinaturas era uma &quot;assinatura Dali&quot;. Era de acolá, de outrem, de outros. Os pombinhos nem perceberam esse detalhe. Receberam um negócio chamado &quot;sei lá o que da genialidade de Dali&quot;, pegaram o &quot;papelzinho&quot; e foram voando, entregando a correspondência num tanto de endereço.

Até pensei em comentar que aquilo lá não era coisa do Salvador Dali mas fiquei com preguiça e desisti. Diante de um pombo-correio muitas vezes eu viro um bicho preguiça.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Eu acho tudo isso muito embasbacante. Um tantão de informação e um tantão de gente virando pombo-correio de informações. Isso sem falar que a tecnologia instalou nesses pombinhos um motor além da capacidade supersônica mas esqueceu de instalar um computador de bordo.</p>
<p>Pombo-correio é o bichinho que pega o recadinho e entrega o papelzinho em certo endereço. E só. Pombo-correio sabe ler? Não. Se você contar pra ele o que tá escrito no papelzinho que ele carrega o bichinho entende a história? Claro que não.</p>
<p>Mas os bichinhos estão velozes que só. Não há computador de bordo, pois são veículos supersônicos com um centro de comando movido por carro de boi.</p>
<p>Quer ver um exemplo? Outro dia recebi um email modelo &#8220;forward/PPS&#8221; que tinha como título algo como &#8220;a genial arte de Salvador Dali&#8221;. Infelizmente apaguei o email, pois é uma boa ilustração de como são esses pombinhos supersônicos.</p>
<p>Cliquei no PPS que o Forward me mandou e fui vendo as pinturas. Umas coisas breguíssimas, metidas a surrealismo. Havia também umas coisas moralistas ambientalistas, um quadro mostrando um sujeito varrendo pra debaixo do tapete-mar um monte de lixo.</p>
<p>Tá bom que pode ser uma imagem que fala sobre a devastação da natureza e tal. Mas era baranguérrima a figura.</p>
<p>A figura que me mandou o email passou pra frente umas figuras que achou interessantes e pronto. A autoria das figuras era atribuída ao Dali. E pronto e só. </p>
<p>O incrível é que os quadros eram assinados. Havia o nome do autor naquele cantinho inferior direito. Cada grupo de imagens tinha um nome no cantinho inferior direito. Os nomes iguais combinavam com pinturas com jeitões iguais.</p>
<p>Agora é que vem: nenhuma das assinaturas era uma &#8220;assinatura Dali&#8221;. Era de acolá, de outrem, de outros. Os pombinhos nem perceberam esse detalhe. Receberam um negócio chamado &#8220;sei lá o que da genialidade de Dali&#8221;, pegaram o &#8220;papelzinho&#8221; e foram voando, entregando a correspondência num tanto de endereço.</p>
<p>Até pensei em comentar que aquilo lá não era coisa do Salvador Dali mas fiquei com preguiça e desisti. Diante de um pombo-correio muitas vezes eu viro um bicho preguiça.</p>
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	<item>
		<title>By: Daniel V.</title>
		<link>http://www.carlosmagalhaes.com.br/archives/935/comment-page-1#comment-617</link>
		<dc:creator>Daniel V.</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 16:34:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://www.carlosmagalhaes.com.br/?p=935#comment-617</guid>
		<description>Caro Carlos,

seu texto é muito interessante. Realmente estamos em um processo de recriacao do que entendemos por processo de construcao cientifica (se por científico entendermos procedimentos adequados que produzam conhecimento). Por um lado, a quantidade de informacoes capazes de serem produzidas é infinitamente maior. Por outro lado, essa capacidade de producao nao é acompanhada por um processo de avaliacao. E procedimentos de avaliacao comecaram, ao meu ver, cada vez mais se diferenciar, e se tornarem indenpendente dentro de suas próprias especialidades. É muito complicado o processo de análise sistemática de um grupo de proposicoes pretendentes a se tornarem conhecimento. Será difícil a cada dia que passa termos os gênios universais, como antigamente. Um indivíduo que analisa o objeto X tem uma quantidade tao imensa informacoes e conhecimento sobre seu tema, que se torna muitas vezes complicado a interligacao externa (com outras ciências, ou partes de sua ciência que nao se relacionem com seu tema) ou mesmo internamente (com coisas que se relacionam com seu tema).

No entanto, me pergunto se a solucao para esse problema nao se encontraria no conceito de estrutura mesmo. A necessidade de diferenciacao, e de construcao de grupos especializados, me parecem superarem o deficit cognitivo que há nos seres humanos. Por um lado, ao juntarem vários indivíduos que se especializam em diferentes tipos de conhecimento sob um professor, e analisarem um tema em específico, ainda que nao sejam todos que possam produzir um conhecimento &quot;completo&quot; (um que tenha analisado ao menos a maioria das variáveis existentes sobre tal tema), visto a quantidade de variáveis existentes nao poder ser analisada por um único indivíduo, no entanto cada um possui um tipo de conhecimento em um grupo de variáveis, e tal conhecimento conectado com outros tornaria ser possível a producao de um conhecimento &quot;completo&quot;. Me parece que a possibilidade do futuro acerca das ciência é exatamente a superacao do indivíduo, e a entrada em grupos. Assim o conhecimento nao somente é analisado intersubjetivamente, senao também seria produzido intersubjetivamente, e porque nao mesmo dizer coletivamente. Nesse sentido Hegel teria razao ao dizer que haveria o retorno consciente ao coletivismo antigo, no sentido de necessidade racional do holismo na producao da ciência, visto que o individualismo nao seria mais capaz de produzir algo que pudesse se apoiar em si mesmo, senao somente através da conexao necessária com outros. A questao entao se tornaria, como poderiámos dizer que sistemas possam produzir conhecimento. Assim, na sociologia e filosofia da ciência, as novas variáveis a serem analisadas seriam em termos primários aspectos estruturais de tais sistemas, tais como a confianca (tema que já ficamos em cima...hehehe ;) ).

Grande abraco,

Daniel</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Carlos,</p>
<p>seu texto é muito interessante. Realmente estamos em um processo de recriacao do que entendemos por processo de construcao cientifica (se por científico entendermos procedimentos adequados que produzam conhecimento). Por um lado, a quantidade de informacoes capazes de serem produzidas é infinitamente maior. Por outro lado, essa capacidade de producao nao é acompanhada por um processo de avaliacao. E procedimentos de avaliacao comecaram, ao meu ver, cada vez mais se diferenciar, e se tornarem indenpendente dentro de suas próprias especialidades. É muito complicado o processo de análise sistemática de um grupo de proposicoes pretendentes a se tornarem conhecimento. Será difícil a cada dia que passa termos os gênios universais, como antigamente. Um indivíduo que analisa o objeto X tem uma quantidade tao imensa informacoes e conhecimento sobre seu tema, que se torna muitas vezes complicado a interligacao externa (com outras ciências, ou partes de sua ciência que nao se relacionem com seu tema) ou mesmo internamente (com coisas que se relacionam com seu tema).</p>
<p>No entanto, me pergunto se a solucao para esse problema nao se encontraria no conceito de estrutura mesmo. A necessidade de diferenciacao, e de construcao de grupos especializados, me parecem superarem o deficit cognitivo que há nos seres humanos. Por um lado, ao juntarem vários indivíduos que se especializam em diferentes tipos de conhecimento sob um professor, e analisarem um tema em específico, ainda que nao sejam todos que possam produzir um conhecimento &#8220;completo&#8221; (um que tenha analisado ao menos a maioria das variáveis existentes sobre tal tema), visto a quantidade de variáveis existentes nao poder ser analisada por um único indivíduo, no entanto cada um possui um tipo de conhecimento em um grupo de variáveis, e tal conhecimento conectado com outros tornaria ser possível a producao de um conhecimento &#8220;completo&#8221;. Me parece que a possibilidade do futuro acerca das ciência é exatamente a superacao do indivíduo, e a entrada em grupos. Assim o conhecimento nao somente é analisado intersubjetivamente, senao também seria produzido intersubjetivamente, e porque nao mesmo dizer coletivamente. Nesse sentido Hegel teria razao ao dizer que haveria o retorno consciente ao coletivismo antigo, no sentido de necessidade racional do holismo na producao da ciência, visto que o individualismo nao seria mais capaz de produzir algo que pudesse se apoiar em si mesmo, senao somente através da conexao necessária com outros. A questao entao se tornaria, como poderiámos dizer que sistemas possam produzir conhecimento. Assim, na sociologia e filosofia da ciência, as novas variáveis a serem analisadas seriam em termos primários aspectos estruturais de tais sistemas, tais como a confianca (tema que já ficamos em cima&#8230;hehehe <img src='http://www.carlosmagalhaes.com.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' />  ).</p>
<p>Grande abraco,</p>
<p>Daniel</p>
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