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	<title>Imaginação Sociológica &#187; Observações Aleatórias</title>
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	<description>Apenas um blog meio... meio...?  sociológico!</description>
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		<title>Quase uma década</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 04:20:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Magalhaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Observações Aleatórias]]></category>

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		<description><![CDATA[Recomendo que este post seja lido em associação com esse post da Flávia. Não espere conclusão ou coerência. A seguir, apenas algumas idéias desconexas.
Estamos próximos de completar a primeira década do século XXI. É impressão minha ou neste final de década as coisas estão se precipitando de uma forma torrencial? Pode ser que vários elementos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recomendo que este post seja lido em associação com esse <a href="http://algodao.algumlugar.net/2009/06/em-busca-da-anti-autoria-perdida/" target="_blank"><strong>post</strong></a> da <a href="http://algodao.algumlugar.net/" target="_blank">Flávia</a>. Não espere conclusão ou coerência. A seguir, apenas algumas idéias desconexas.</p>
<p>Estamos próximos de completar a primeira década do século XXI. É impressão minha ou neste final de década as coisas estão se precipitando de uma forma torrencial? Pode ser que vários elementos que foram se configurando a partir da segunda metade dos anos 1990 estejam agora transbordando. Penso especificamente na revolução proporcionada pela WEB e num possível salto qualitativo que estaria acontencendo agora, debaixo das nossas barrigas. Para citar apenas três casos emblemáticos, podemos apontar a morte da indústria fonográfica, o estertor da mídia impressa e a crise dos direitos autorais sobre obras impressas em papel provocada pela facilidade da reprodução eletrônica.</p>
<p>Cortázar escreveu no maravilhoso &#8220;Histórias de Cronópios e Famas&#8221; (1962):</p>
<blockquote><p>Cada vez más los países serán de escribas y de fábricas de papel y tinta, los escribas de día y las máquinas de noche para imprimir el trabajo de los escribas. Primero las bibliotecas desbordarán de las casas; entonces las municipalidades deciden (ya estamos en la cosa) sacrificar los terrenos de juegos infantiles para ampliar las bibliotecas. Después ceden los teatros, las maternidades, los mataderos, las cantinas, los hospitales. Los pobres aprovechan los libros como ladrillos, los pegan con cemento y hacen paredes de libros y viven en cabañas de libros. Entonces pasa que los libros rebasan las ciudades y entran en los campos, van aplastando los trigales y los campos de girasol, apenas si la dirección de vialidad consigue que las rutas queden despejadas entre dos altísimas paredes de libros.</p></blockquote>
<p>Mas Cortázar não sabia dos HDs medidos em terabytes e das redes sem fio. Vivemos imersos em palavras, mas elas não estão apenas impressas em papel e não constituem o nosso piso e as nossas paredes. Estão e constituem o ar que respiramos. Circulam, fluem, nas redes wireless a partir de finíssimos discos magnéticos interligados.</p>
<p>É sabido que o conhecimento se distribui socialmente. Em qualquer época, alguns são produtores e outros são consumidores, uns têm acesso e outros não. No passado havia maior simetria. Produtores e consumidores formavam uma única comunidade. O acesso era muito restrito. Pense na reprodução manual de livros anterior aos tipos móveis. Poucos sabiam decifrar a escrita. Agora a alfabetização formal e as facilidades de acesso fazem com que poucos produtores sejam consumidos por uma massa gigantesca de meros consumidores/replicadores. Um zemané qualquer concebe uma boutade duvidosa qualquer e, imeditamente, ela inunda as caixas postais eletrônicas de centenas de pessoas que replicam aquela informação, que se torna rapidamente onipresente.</p>
<p>A assimetria entre produtores e consumidores/replicadores é mais uma ameaça ao pensamento autônomo. O pensamento hoje vem em pacotes fechados, transmitido via email, redes sociais, embutido em hardwares ou softwares. É desnecessário pensar para acessar o conhecimento. Basta apertar botões, com o dedo ou com o mouse. O copy &amp; paste oferece a pá de cal do pensamento autônomo.</p>
<p>Sempre me intrigou a representação em filmes de ficção científica, como na seqüência &#8220;Guerra nas Estrelas&#8221;, de indivíduos (ou grupo/espécies) aparentemente broncos, mas detentores/utilizadores de tecnologia sofisticada. Não faz muito sentido a imagem de um indivíduo habitante do deserto inóspito, vestido com peles de animais, que faz uso de aparelhos de comunicação intergalática.</p>
<p>Não seria, no entanto, essa representação muito real? Não é essa a realidade que enfrentamos em nosso cotidiano?  Não é fato que qualquer pessoa, incapaz de escrever um texto de três linhas que seja fruto do pensamento autêntico, carrega no bolso um dispositivo que acessa facilmente todo o estoque de conhecimento disponível e o replique com extrema facilidade por meio do &#8220;copy &amp; paste&#8221; ?</p>
<p>Vivemos no mundo da replicação.  Replicação, autoria, não-autoria, anti-autoria. Sem dúvida, não é por falta de problemas que ficaremos entediados.</p>
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		<title>Vôo AF 447</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Jun 2009 04:20:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Magalhaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Observações Aleatórias]]></category>

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		<description><![CDATA[Diante da mais nova pletora de informações técnicas e expressões de sentimentalismo barato (sem querer desfazer do sofrimento de quem, de fato, sofre) só consigo me impressionar com a repetição. Neste exato momento a Globo News recita os dados técnicos do avião A 330-200 que caiu. Entrevista os especialistas que terão os seus 15 minutos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Diante da mais nova pletora de informações técnicas e expressões de sentimentalismo barato (sem querer desfazer do sofrimento de quem, de fato, sofre) só consigo me impressionar com a repetição. Neste exato momento a Globo News recita os dados técnicos do avião A 330-200 que caiu. Entrevista os especialistas que terão os seus 15 minutos de fama. Familiares expressam as dores relacionadas ao acidente. As vítimas são nomeadas e suas credenciais são listadas.</p>
<p>Tudo certo. É mesmo uma situação grave, dolorosa e triste. Não pretendo negar essa realidade. Mas o <a href="http://www.cidades.gov.br/" target="_blank">Ministério das Cidades</a> <a href="http://www2.cidades.gov.br/renaest/detalheNoticia.do?noticia.codigo=276" target="_blank">informa</a> que, nos últimos 10 anos, 327.469 pessoas morreram em acidentes de trânsito no Brasil. São 98 mortes por dia, 35 mil por ano. Muito poucas dessas mortes mereceram/merecem atenção igual à dedicada aos mortos do acidente aéreo de hoje e nos anteriores, que ocuparam tão intensamente a imprensa.</p>
<p>Não deixa de ser notável esse imaganinário que se construiu e que se reconstrói em torno dos acidentes aéreos. Uma explicação supostamente neutra diria que a menor freqüência estatística dos acidentes aéreos, em comparação com os acidentes que envolvem automóveis terrestres, responde pelo destaque aumentado. Mas não consigo deixar de pensar que a posição das vítimas na hierarquia social tem mais a ver com as diferenças de comoção. Quando as vítimas partiram de uma rodoviária, ou de uma esquina qualquer num ônibus clandestino, a narrativa é sempre a do desastre esperado, causado pela &#8220;imprudência atávica dessa gente&#8221;.</p>
<p>Enfim, nos próximos dias vamos saber tudo, mais uma vez, sobre a dor da perda de singulares e insubstituíveis entes queridos cheios de projetos agora interrompidos abruptamente, sobre as intempéries que podem atingir os vôos transoceânicos e sobre as minuciosas tecnicalidades redundantes dos aviões mais perfeitos do mundo. Enquanto isso, os 98 mortos diários nas ruas e estradas brasileiras continuarão sendo nada mais do que estatísticas.</p>
<p>Pra terminar, não posso deixar de mencionar  post do <a href="http://cloacanews.blogspot.com/2009/06/um-calhorda-chamado-noblat.html" target="_blank">Cloaca News</a>.  Lendo o <a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/06/01/havia-80-brasileiros-no-voo-da-air-france-cade-lula-191564.asp" target="_blank">post do Noblat</a>, especialmente a &#8220;correção&#8221;, fica muito evidente que a vontade de culpar o Lula é maior do que a dor causada pelo desastre.</p>
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		<title>Ótimos posts</title>
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		<pubDate>Thu, 28 May 2009 05:31:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Magalhaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Observações Aleatórias]]></category>
		<category><![CDATA[Recomendo]]></category>

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		<description><![CDATA[ Frequ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>[Texto editado para corrigir erros de digitação. Inserir links e tornar alguns pontos mais claros]</strong></p>
<p>De ontem para hoje, alguns ótimos posts foram publicados. Gostaria de recomendá-los.</p>
<p>Começo com os dois posts da Lúcia (links: <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2009/05/26/industria_farmaceutica_1/" target="_blank">post 1</a> &#8211; <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2009/05/27/industria_farmaceutica_2/" target="_blank">post 2</a>) sobre a indústria farmacêutica. Não é sempre que podemos ler as considerações de quem entende de um assunto. O tema dos medicamentos me interessa (principalmente, mas não só por isso) porque diz respeito ao consumo de &#8220;drogas&#8221;. A paranóia sobre as <strong>drogas ilícitas</strong>, além de outros prejuízos, contribui para a invisibilidade do problema do consumo das <strong>drogas lícitas</strong>. Os <a href="http://www.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/ansioliticos.htm" target="_blank">ansiolíticos</a>, por exemplo, têm sido receitados e usados com enorme facilidade. Não sou especialista e, portanto, não posso avaliar os possíveis danos à saúde causados por essa liberalidade. Mas a ausência de discussão sobre esses danos me deixa intrigado. Se tanta energia é dedicada aos danos à saúde causados pelas drogas ilícitas, por que quase nenhuma é empregada em relação às drogas lícitas? Em tempos de incentivo ao <a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/05/25/o-estado-policial/" target="_blank">dedo-durismo</a>, não são curiosos os <a href="http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/index.php/ultimas/NEOSALDINA%AE-VOLTA-A-MDIA-COM-CAMPANHA-CRIADA-PELA-SANTA-CLARA.html" target="_blank">comerciais</a> de <a href="http://www.nycomed.com.br/pt/Menu/Sua+Sa%C3%BAde/Produtos/Neosaldina/">Neosaldina</a>? O medicamento, cujo componente principal &#8211; a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Metamizol" target="_blank">dipirona</a> &#8211; não figura entre os mais  <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Agranulocitose" target="_blank">inocentes</a>, é apresentado como um <a href="http://www.lacta.com.br/outras.php" target="_blank">Confeti</a>. Por que não voltar ao anúncio dos &#8220;<a href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0047-20852006000400008&amp;script=sci_arttext" target="_blank">cigarros índios</a>&#8220;, do início do século XX? (A propósito, <a href="http://www.solvaypharmaceuticals-us.com/products/marinolproductinformation/0,998,12413-2-0,00.htm" target="_blank">Marinol</a> é o medicamento americano feito a partir do THC).</p>
<div id="attachment_836" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><a href="http://www.carlosmagalhaes.com.br/wp-content/uploads/2009/05/cigarrosindios.jpg"><img class="size-full wp-image-836" title="Cigarros Índios" src="http://www.carlosmagalhaes.com.br/wp-content/uploads/2009/05/cigarrosindios.jpg" alt="Anúncio do início do século XX - revista Gazeta Médica" width="400" height="343" /></a><p class="wp-caption-text">Anúncio do início do século XX - revista Gazeta Médica</p></div>
<p>Como de costume, o <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/nao_reeleja_ninguem_e_uma_campanha_burra_e_alienada.php" target="_blank">Idelber desnuda</a> a indigência intelectual da mais recente mobilização política da &#8220;república Ipanema-Morumbi-Belvedere&#8221;: <a href="http://marcelotas.blog.uol.com.br/arch2009-05-16_2009-05-31.html#2009_05-19_16_51_39-5886357-0" target="_blank">Não reeleja ninguém</a>. Não há necessidade de falar mais nada depois do post do Idelber. Nas últimas eleições, votei em branco para deputado federal. Mas tomei essa decisão depois de pensar bastante e chegar à conclusão de que o nosso sistema proporcional combinado com as alianças espúrias é esquizofrênico. Minha decisão atual é votar em eleições proporcionais apenas quando forem proibidas as coligações. Não quero votar em um nome, ou mesmo em uma legenda, sabendo que meu voto ajuda a eleger um energúmeno qualquer do PMDB. Por que os paladinos da &#8220;moralzinha na política&#8221; não propõem um debate sobre as regras das eleições proporcionais? &#8220;Putz, mas assim vamos ter que descobrir quais são as regras atuais! Fazemos tantas coisas! Não temos tempo&#8230;&#8221;</p>
<p>Como dou aulas para seres humanos que cometem, sem nenhum pudor, o desrespeito de terem nascido no ano de 1992, tenho me ocupado de mostrar que uma denúncia veiculada pela Globo não é, por definição, uma denúncia. Uma enganação muito sedutora, tento alertar, é aquela que apresenta o voto (ou o não-voto) como a maior arma do cidadão. Muito boa essa &#8220;arma&#8221; (boa pra quem?) que, como se não bastasse o longo intervalo de 4 anos, é  ainda controlada pelo dinheiro e pelo &#8220;marketing político&#8221;. POLÍTICO NÃO É PRODUTO! Uma campanha com esse slogan não seria mais apropriada que os &#8220;cansaços&#8221; que andam por aí? Por que não reivindicar uma regulamentação da propaganda política que exclua a contratação de artistas populares, a utilização de &#8220;efeitos especiais&#8221; e a teledramaturgia?</p>
<p>Por último, mas não menos importante, destaco o <a href="http://www.rafael.galvao.org/2009/05/twitter/" target="_blank">post do Rafael</a> sobre o Twitter. Tenho considerado a possibilidade de entrar no tal Twitter. Mas tenho resistido. Os argumentos do Rafael são relevantes. Pra que tantas informações se não conseguimos processá-las? Tenho me policiado também para não embarcar numa fala do tipo &#8220;como era bom o meu tempo&#8221;. Se tenho me policiado, é evidente que o problema está posto. Os números da minha biografia já estão atingindo valores demasiadamente elevados. Moro em Belo Horizonte há 20 anos. Não é pouco. Minhas referências biográficas estão ficando avantajadas. Freqüento a internet, quase diariamente, desde 1997, quando comprei um avançadíssimo Pentium MMX 200 para substituir o meu valente 386 SX 40. Mas, apesar da idade que não pára de avançar, não tenho saudades dos tempos pré-eletrônicos da minha infância/adolescência. Não sinto a falta da máquina de escrever ou das fichas de orelhão. Meu novo vício, por exemplo, é um smartphone com um pacote de dados 3G. Já sinto dificuldade de usar um desktop que exige uma mesa só para ele e fica preso a um lugar da casa.  Carrego a internet no bolso para qualquer lugar.  E daí? Preciso/precisamos disso?  É possível escapar disso hoje? Mesmo utilizando essa parafernalha toda, cabe questionar o significado dessa overdose de conectividade.</p>
<p>Só uma conclusão (entre várias possíveis): a vida inteligente hoje não está, exclusivamente, impressa em papel. Ainda que o papel não seja, por enquanto, imprescindível, já não é mais, obviamente, suficiente.</p>
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		<title>Gripe</title>
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		<pubDate>Tue, 26 May 2009 04:40:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Magalhaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[A gerência]]></category>
		<category><![CDATA[Observações Aleatórias]]></category>

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		<description><![CDATA[Vim aqui apenas para justificar a infreqüência e, pricipalmente, a falta de resposta aos últimos comentários. Peguei uma gripe na sexta-feira. Senti o exato momento em que os sintomas começaram a se manifestar. À noite tomei um remédio vendido-sob-prescrição-médica-sem-prescrição-médica e passei o sábado inteiro meio acordado, meio dormindo. No domingo me ocupei de descansar de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vim aqui apenas para justificar a infreqüência e, pricipalmente, a falta de resposta aos últimos comentários. Peguei uma gripe na sexta-feira. Senti o exato momento em que os sintomas começaram a se manifestar. À noite tomei um remédio vendido-sob-prescrição-médica-sem-prescrição-médica e passei o sábado inteiro meio acordado, meio dormindo. No domingo me ocupei de descansar de um sábado sonolento. Aproveitei para ler mais de 1/3 do &#8220;<a href="http://www.ceticismoaberto.com/ciencia/jareddiamond_historia.htm" target="_blank">Armas, Germes e Aço</a>&#8221; do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jared_Diamond" target="_blank">Jared Diamond</a>. Por coincidência, assim que comprei o livro, descobri uma <a href="http://savageminds.org/?s=jared+diamond" target="_blank">trilha de links</a> para uma <a href="http://portalimprensa.uol.com.br/portal/ultimas_noticias/2009/05/15/imprensa28141.shtml" target="_blank">polêmica</a> entre antropólogos e o Diamond. E leituras que levam a leituras são sempre melhores do que leituras que não levam a nada.</p>
<p>Antes de escrever essas besteiras aqui, como não poderia deixar de ser, dei uma googlada. Descobri que não tive/tenho gripe, mas um reles <a href="http://drauziovarella.ig.com.br/historias/gripe.asp" target="_blank">resfriado</a>. O fato é que o remédio me derrubou mais do que a suposta gripe. Afinal, como mostra o Diamond, não é um virus amigo qualquer que derruba um descendente de eurasianos. Mas estava mesmo precisando compensar o déficit semanal de sono.</p>
<p>Gripe no google é a suína. De todas as informações, as mais curiosas que vi desde o início dessa seqüência de notícias (que será, em breve, substituída por outra) são as que falam do &#8220;<a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/new_york_times/2009/05/07/americanos+debatem+autocontagio+pela+gripe+suina+5973983.html" target="_blank">autocontágio</a>&#8220;.  Isso prova que os humanos são meio doidos. Se em situações não muito graves aparecem idéias &#8220;interessantes&#8221;, imagine o que aconteceria numa verdadeira catástrofe mundial. Imagine uma pandemia definitivamente mortal. Não é, evidentemente, algo bom de se imaginar. Mas o que fariam diante do fim iminente &#8211; e ignorante das hierarquias de classe &#8211; os humanos atuais, especialmente aqueles mais seguros de sua identidade e de seu destino, supostamente garantidos por seu patrimônio material? Uma pista do que são capazes os &#8220;bípedes implumes&#8221; pode ser encontrada no &#8220;<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2774760&amp;sid=89122114311424827959853&amp;k5=150C64C9&amp;uid=" target="_blank">História do medo no ocidente</a>&#8220;, de <a href="http://www.usc.br/edusc/noticias/folha_mais_out2003_pecadomedo.htm" target="_blank">Jean Delumeau</a>. No século XIV, o problema era a peste, sem dúvida pior que a nossa gripe do porco. Algo semelhante à peste na aldeia global? A sensatez não seria a regra.</p>
<p>Terminando: para informações sobre a gripe suína em português visite o <a href="http://scienceblogs.com.br/" target="_blank">Science Blogs Brasil</a>. <a href="http://www.google.com/cse?cx=017254414699180528062%3Aol6v8jejbwk&amp;q=gripe+suina&amp;sa.x=0&amp;sa.y=0&amp;sa=procure" target="_blank">Clique aqui</a> para ir diretamente aos links do portal.</p>
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		<title>Rádio Relógio (AM 580 Khz)</title>
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		<pubDate>Fri, 15 May 2009 05:21:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Magalhaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Observações Aleatórias]]></category>

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		<description><![CDATA[Você se lembra DA Rádio Relógio? DA e não DO rádio relógio? Considerando que muitos entram na faculdade com 17 anos, no ano que vem terei alunos nascidos em 1993. Ano em que iniciei o mestrado! Para mim, a experiência do evelhecimento já começou. Estou neste planeta há longos 39 anos. Dia desses falei numa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Você se lembra <strong>DA</strong> Rádio Relógio? <strong>DA</strong> e não <strong>DO</strong> rádio relógio? Considerando que muitos entram na faculdade com 17 anos, no ano que vem terei alunos nascidos em 1993. Ano em que iniciei o mestrado! Para mim, a experiência do evelhecimento já começou. Estou neste planeta há longos 39 anos. Dia desses falei numa aula, advertindo por antecipação que se tratava de uma lembrança de tempos distantes, sobre a Rádio Relógio. Uma aluna respondeu que já tinha ouvido falar <strong>DO</strong> rádio relógio, sucessor moderno do velho relógio despertador. Quando me vi explicando que não falava de um dos <em>gadgets</em> comuns nos anos 90, mas de uma estação de rádio que se dedicava a transmitir a hora certa durante as 24 horas do dia, percebi que sou mesmo pré-histórico.</p>
<p>Os alunos arregalaram os olhos e duvidaram da existência de uma estação de rádio como a Rádio Relógio. Se você, leitor, já ouviu a Rádio Relógio, não se iluda. Jovem você não é.</p>
<p>Ultimamente, quandos os alunos me cobram uma promessa esquecida (enviar um email, entregar um texto, etc.) digo que minha memória foi uploudada para o google. &#8220;Só me lembro do que está no google&#8221;. &#8220;Um sociólogo francês que viveu entre o século dezenove e o início do vinte? O primeiro nome é Émile? Espere que vou ver no google&#8221;.  A Rádio Relógio CONFUNDE ATÉ O GOOGLE! Pesquisando por &#8220;rádio relógio&#8221;, os resultados são todos sobre um dos principais <em>gadgets</em> dos anos 1990 (lembra dos modelos que vinham com <em>slot</em> para uma bateria de 9 volts que evitava a parada do <em>device</em> por falta de energia elétrica?). Para achar a rádio no google, é preciso incluir alguma referência aos anos 1970.</p>
<p>E o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/R%C3%A1dio_Rel%C3%B3gio" target="_blank">resultado entristece</a>. A outrora pública <a href="http://orebate-cassioribeiro.blogspot.com/2008/03/saudosa-rdio-relgio-federal.html" target="_blank">Rádio Relógio</a> é hoje propriedade do <a href="http://www.ongrace.com/rrsoares/" target="_blank">Missionário R. R. Soares</a>. <a href="http://aimore.org/radio/Radio_Relogio_Federal_ZYJ465_Part2.mp3" target="_blank">Ouça um trecho</a> das tramissões da Rádio Relógio.</p>
<p>Pois é. Depois que o <a href="http://ohermenauta.wordpress.com/" target="_blank">Hermenauta</a> nos apresentou o <a href="http://ohermenauta.wordpress.com/2009/05/13/as-maravilhas-do-monoteismo/" target="_blank">blog do bispo Macedo</a>, ninguém pode me acusar de ser implicante com a religião (veja as idéias simpáticas do bispo sobre a Índia). Não implico apenas ou especificamente com a religião. Implico com os engolidores da pílula azul. A imaginação sociológica demanda a pílula vermelha. As religiões intitucionalizadas vendem a pílula azul (lembre-se fiel, <a href="http://blog.bispomacedo.com.br/?p=454" target="_blank">o dízimo é sobre o bruto</a>. Deus não tem culpa de o governo meter a mão primeiro no seu salário. Engraçado esse Deus onipotente que perde para a Receita Federal). O RR meter a mão na Rádio Relógio é apenas uma confirmação. É claro que a Rádio Relógio não tinha nenhum conteúdo emancipador, não é esse o ponto. O ponto é a sopa tomada pelas beiradas. Enquanto a maioria está atenta ao que não merece atenção.</p>
<p>O fato é que sou, cada vez mais, <a href="http://www.amalgama.blog.br/05/2009/a-criacao-foi-um-ato-politico/" target="_blank">assembleista</a>.</p>
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		<title>Algumas notas inconclusivas roubadas do tempo de sono</title>
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		<pubDate>Wed, 13 May 2009 05:50:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Magalhaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[A gerência]]></category>
		<category><![CDATA[Observações Aleatórias]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia de Boteco]]></category>

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		<description><![CDATA[Chego em casa às 11 da noite. Ligo o computador e a tevê, volume baixo, na Globo News. Vou para o Google Reader para saber do que interessa, enquanto escuto ao longe as abobrinhas de um programinha da Waldvogel. Parece que o tema tem a ver com reforma política. Como os ouvidos não têm tampa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chego em casa às 11 da noite. Ligo o computador e a tevê, volume baixo, na Globo News. Vou para o Google Reader para saber do que interessa, enquanto escuto ao longe as abobrinhas de um <a href="http://globonews.globo.com/Jornalismo/Gnews/0,,7494,00.html" target="_blank">programinha</a> da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%B4nica_Waldvogel" target="_blank">Waldvogel</a>. Parece que o tema tem a ver com reforma política. Como os ouvidos não têm tampa (daí o ditado &#8220;melhor ouvir do que ser surdo&#8221;) , escuto qualquer coisa como &#8220;o voto é a grande arma do cidadão&#8221;. Felizmente um dos convidados (<a href="http://www.henriquefontana.com.br/" target="_blank">Henrique Fontana</a> &#8211; PT/RS) relativizou a afirmação. Essa é a &#8220;politização&#8221; que as Organizações <span style="text-decoration: line-through;">Tabajara</span> Globo esperam dos seus súditos: comparecer na data marcada numa seção eleitoral e digitar os números dos seus candidatos, que depois serão &#8220;denunciados&#8221; no Jornal Nacional. &#8220;Político é tudo ladrão&#8221;. Mas não tem problema. &#8220;O brasileiro não tem mesmo memória!&#8221; E tome chavões na cabeça. Padrão &#8220;Fauto Silva&#8221; de consciência política.</p>
<p>Vejo no <a href="http://scienceblogs.com.br/rainha/">Rainha Vermelha</a> uma f<a href="http://scienceblogs.com.br/rainha/2009/05/sobre_macacos_pelados.php" target="_blank">oto de um macaco sem pelos</a> (o post é muito mais interessante do que a minha memória biográfica). É inevitável me lembrar de um dos muitos casos que meu avô contava. Certa vez foi convidado a participar de uma refeição cujo prato principal seria um pequeno macaco. Declinou quando viu o macaco despelado e notou a grande semelhança com uma criança humana. Não tenho idéia do que o meu avô pensaria sobre a teoria da evolução. Mas tenho certeza de que a experiência do macaco/criança o aproximava da conclusão de que somos mamíferos-primatas como quaisquer outros.</p>
<p>Essa lembrança me remete a uma conversa recente com meus alunos. Falávamos sobre o ditanciamento que se estabeleceu entre o consumidor moderno de carne e o animal que a oferece. Compramos as &#8220;peças&#8221; no supermercado, naquelas bandejas com cortes pré-definidos &#8211; e nos esquecemos convenientemente que são parte de animais que já foram vivos. Cresci na &#8220;roça&#8221;.  A carne à mesa, com freqüência, andava há pouco pelo quintal. Para os urbanos, essa informação pode ser estranha. Tem muita gente por aí que não liga o bife ao boi. Não sou e nem pretendo ser vegetetariano. Mas não deixa de ser interessante essa situação de que hoje as pessoas comem coisas cuja origem desconhecem completamente. Se soubessem, não comeriam.</p>
<p>Essas notas talvez seguissem por outros caminhos, mas para chegar até aqui tive que recorrer  a um &#8220;ponto de restauração do windows&#8221; e tive que escrever novamente alguns pedaços. Parece que isso foi obra de uma interação pouco amistosa entre o meu notebook e o windows-update. Moral da história: não legalize o seu windows por causa  das  vantagens que que a MICOsoft oferece. O windows é um programa pirata por essência. Não adianta a Microsoft oferecer agora as vantagens da legalização.  (Em tempo: estou escrevendo a partir de uma cópia perfeitamente legal do Vista).</p>
<p>Como digo aos meus alunos: só mais uma coisa, para concluir, SILÊNCIO, sigam a discussão sobre a conscientização ambiental  <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2009/05/11/sobre_a_conscientizacao_da_massa/" target="_blank">a partir do blog da Lúcia</a>. Quero entrar na conversa, mas agora não posso.</p>
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		<title>Sou feliz por ser ateu (continuação) ou Entrando na briga!</title>
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		<pubDate>Sat, 09 May 2009 05:42:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Magalhaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Observações Aleatórias]]></category>

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		<description><![CDATA[Continuando o post anterior, não quero me desviar da questão proposta. Terminei com a afirmação/pergunta: &#8220;Tenho me espantado com a quantidade de carros que exibem algum emblema religioso. &#8216;Sou feliz por ser católico&#8217;, &#8216;Deus é fiel&#8217;, logomarcas de igrejas, acrônimos religiosos diversos. Qual seria a explicação para tamanha necessidade de dizer publicamente &#8216;acredito nisso ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando o post anterior, não quero me desviar da questão proposta. Terminei com a afirmação/pergunta: &#8220;<em>Tenho me espantado com a quantidade de carros que exibem algum emblema religioso. &#8216;Sou feliz por ser católico&#8217;, &#8216;Deus é fiel&#8217;, logomarcas de igrejas, acrônimos religiosos diversos. Qual seria a explicação para tamanha necessidade de dizer publicamente &#8216;acredito nisso ou naquilo&#8217;?</em>&#8221;</p>
<p>De saída, é bom esclarecer que o problema não é especificamente a religião, mas a necessidade de fazer afirmações identitárias públicas e ostensivas. Tal necessidade parece denunciar a fraqueza das mesmas identidades anunciadas publicamente. Googlando sobre &#8220;adesivos religiosos automotivos&#8221; (não foi bem essa a minha busca, mas a expressão é engraçada), cheguei a um post que se refere à &#8220;<a href="http://www.ronaldocamacho.com.br/a-guerra-dos-adesivos/" target="_blank">guerra dos adesivos</a>&#8220;. Não tinha pensado em competição, mas a idéia é interessante. É bem possível que a crescente &#8220;adesivação religiosa automotiva&#8221; tenha a ver com uma cisão religiosa na classe média brasileira (a disputa seria intra-classe na medida em que as batalhas se travam nos vidros e latarias de carros relativamente caros). Se no passado a classe média era quase totalmente católica, hoje existe um contingente evangélico cada vez mais numeroso. O conflito está posto.</p>
<p>Os evangélicos, por serem minoritários e, no interior da classe média, vistos com desconfiança, teriam partido para uma estratégia afirmativa de inversão do estigma: &#8220;Sou evangélico, SIM! Tenho orgulho disso, e estou ganhando dinheiro!&#8221; A estratégia afirmativa teria se materializado inicialmente no &#8220;adorno metálico&#8221; do peixe, tradicionalmente católico, conforme o <a href="http://www.ronaldocamacho.com.br/a-guerra-dos-adesivos/" target="_blank">post do Ronaldo</a>, e que teria sido seqüestrado pelos evangélicos. Além do peixe, é muito freqüente o adesivo que informa: &#8220;Deus é fiel&#8221;.</p>
<p>Nunca entendi essa frase. Mas o google me diz que a frase completa é &#8220;Deus é fiel, mesmo quando não somos&#8221;. Assim faz mais sentido. Não obstante, a supressão da segunda parte não me parece casual. De fato, parece uma inversão de perspectiva. O humilde pecador, que confiava abolutamente em Deus, parece agora ameaçá-lo: &#8220;Seja fiel! Ou não conte comigo&#8221; (a classe média, especialmente a ascendente, é orgulhosa de suas conquistas materiais). Aqui em Belo Horizonte, vale destacar, um adesivo muito popular é o da extremamente bem sucedida &#8220;<a href="http://www.lagoinha.com/engine.php" target="_blank">Igreja Batista da Lagoinha</a>&#8220;, negócio muito bem administrado pela família Valadão. O uso desse adesivo no carro talvez esconda o anúncio público menos confessável e mais prosaico do sucesso material.</p>
<p>Seguindo o raciocínio, os católicos, assustados com a perda de espaço, reagiram. Vieram com o &#8220;Sou feliz por ser católico&#8221;. Numa leitura contrária, o significado real pode ser: &#8220;apesar de católico, sou feliz (ainda que não esteja ganhando tanto dinheiro)&#8221;. Max Weber já dizia que os protestantes são mais adaptados ao capitalismo. Depois introduziram a imagem da Virgem Maria envolvida pelo terço. De acordo com o <a href="http://www.ronaldocamacho.com.br/a-guerra-dos-adesivos-2-novos-competidores/" target="_blank">Ronaldo</a>, a escolha teria sido proposital, já que os evangélicos não se entusiasmam muito com essa história de virgindade da mãe do Homem. Um pouco mais tarde apareceu a &#8220;Virgem de Aparecida&#8221; envolvida por um terço que forma o mapa do Brasil. Não é preciso lembrar do episódio mais explícito da guerra religiosa midiática no Brasil que teve seu clímax quando um pastor da Universal aplicou, em rede nacional, uns pontapés na imagem da &#8220;Nossa Senhora Aparecida&#8221;.</p>
<p>(Parêntesis: é também comum em Belo Horizonte um adesivo em que se lê a expressão &#8220;<a href="http://blog.cancaonova.com/bh/2009/04/13/mundo-novo/" target="_blank">Mundo Novo</a>&#8220;. Sabia que se tratava de alguma coisa relacionada à <a href="http://www.cancaonova.com/" target="_blank">Canção Nova</a> &#8211; uma espécie de braço evangélico do catolicismo. Não sabia que essa associação tinha como um dos membros de destaque o ex (e felizmente derrotado) candidato a vice-prefeito <a href="http://hera.almg.gov.br/cgi-bin/nph-brs?d=MATE&amp;f=G&amp;l=20&amp;n=&amp;p=1&amp;r=10&amp;u=http://www.almg.gov.br/mate/chama_pesquisa.asp&amp;SECT1=IMAGE&amp;SECT2=THESNOM&amp;SECT3=PLUROFF&amp;SECT6=BLANK&amp;SECT7=LINKON&amp;co1=e&amp;pg1=dtmt&amp;s1=(pec+ou+plc+ou+pl+ou+pre+ou+rqn+ou+rqs).prop.+e+@publ+%3E=+20070201+e+14752.matr.+nao+tnjur.situ.+&amp;s2=&amp;SECT2=THESNOM&amp;n=" target="_blank">Eros Biondini</a>).</p>
<p><a href="http://brancoleone.wordpress.com/2009/05/04/sabe-o-que-e/" target="_blank">Enfim</a>, pensei em escrever essa continuação falando na fragilidade das identidades tradicionais no mundo contemporâneo, da modernidade líquida e até da anomia durkheimiana. Mas, ainda que o problema da &#8220;adesivação religiosa automotiva&#8221; tenha a ver com essas macro-questões, o fato é que estamos diante de uma pequena guerra religiosa travava no interior da classe média brasileira: católicos <em>versus</em> evangélicos.</p>
<p>E os ateus? Bem, pode não ser muito, mas na falta de soldados para esta causa, me apresento. Aproveitando<a href="http://www.stickergiant.com/darwin_bfp_pg1" target="_blank"> uma dica do blog do Ronaldo</a>, encomendei o meu adesivo. Assim que chegar, será colado na traseira do meu carro. Postarei uma foto no blog. Aguardem!</p>
<div id="attachment_743" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.carlosmagalhaes.com.br/wp-content/uploads/2009/05/darwin.gif"><img class="size-full wp-image-743" title="Adesivo vendido no site Sticker Giant." src="http://www.carlosmagalhaes.com.br/wp-content/uploads/2009/05/darwin.gif" alt="Adesivo vendido no site Sticker Giant" width="300" height="250" /></a><p class="wp-caption-text">Adesivo vendido no site Sticker Giant</p></div>
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		<title>The Future</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 03:59:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Magalhaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Observações Aleatórias]]></category>

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		<description><![CDATA[I&#8217;ve seen the future, brother:
it is murder. 
Andando a pé na rua, depois de ter dirigido muito, você já levantou os olhos procurando pelo espelho retrovisor para ver o que está acontecendo atrás? Eu já. Lendo um texto em papel, você já sentiu falta de um hiperlink? Eu já. Folheando um livro, também em papel, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.leonardcohenfiles.com/album10.html#74" target="_blank">I&#8217;ve seen the future, brother:<br />
it is murder. </a></p>
<p>Andando a pé na rua, depois de ter dirigido muito, você já levantou os olhos procurando pelo espelho retrovisor para ver o que está acontecendo atrás? Eu já. Lendo um texto em papel, você já sentiu falta de um hiperlink? Eu já. Folheando um livro, também em papel, você já sentiu falta de uma ferramenta de busca por palavra ou frase? Eu já.</p>
<p>A integração organismo-máquina nos espera?</p>
<p>Dia desses estava pensando em como seria bom conectar o cérebro diretamente à internet via wireless. Essa possibilidade já não é tão absurda. E tudo começou <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ML1OZCHixR0" target="_blank">assim</a>.</p>
<p>Veja o vídeo: </p>
<p><object width="446" height="326"><param name="movie" value="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf"></param><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="wmode" value="transparent"></param><param name="bgColor" value="#ffffff"></param><param name="flashvars" value="vu=http://video.ted.com/talks/embed/PattieMaes_2009-embed_high.flv&#038;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/PattieMaes-2009.embed_thumbnail.jpg&#038;vw=432&#038;vh=240&#038;ap=0&#038;ti=481" /><embed src="http://video.ted.com/assets/player/swf/EmbedPlayer.swf" pluginspace="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" bgColor="#ffffff" width="446" height="326" allowFullScreen="true" flashvars="vu=http://video.ted.com/talks/embed/PattieMaes_2009-embed_high.flv&#038;su=http://images.ted.com/images/ted/tedindex/embed-posters/PattieMaes-2009.embed_thumbnail.jpg&#038;vw=432&#038;vh=240&#038;ap=0&#038;ti=481"></embed></object></p>
<p>Leia sobre o projeto <a href="http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI3498397-EI4802,00-Projeto+do+MIT+quer+fazer+da+internet+nosso+sexto+sentido.html" target="_blank">aqui</a>. <a href="http://conferences.ted.com/TED2009/" target="_blank">Site oficial</a>.</p>
<p>O que <a href="http://pedrodoria.com.br/2009/04/29/damasio-e-castells-a-midia-precisa-ir-mais-devagar-com-o-ritmo/" target="_blank">Damásio e Castells</a> diriam sobre isso?</p>
<p>Via <a href="http://orgtheory.wordpress.com/2009/05/07/org-theory-and-the-new-new-spirit-of-capitalism/">orgtheory.net</a>.</p>
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		<title>Sou feliz por ser ateu</title>
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		<pubDate>Thu, 07 May 2009 04:40:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Magalhaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Observações Aleatórias]]></category>

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		<description><![CDATA[Sobre o título do post (todas as definições &#8211; entre aspas &#8211; serão, por conveniência, retiradas do dicionário Houaiss): Se ateu é quem se identifica com a (1) &#8220;doutrina ou atitude de espírito que nega categoricamente a existência de Deus, asseverando a inconsistência de qualquer saber ou sentimento direta ou indiretamente religioso, seja aquele calcado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre o título do post (todas as definições &#8211; entre aspas &#8211; serão, por conveniência, retiradas do dicionário Houaiss): Se ateu é quem se identifica com a (1) &#8220;doutrina ou atitude de espírito que nega categoricamente a existência de Deus, asseverando a inconsistência de qualquer saber ou sentimento direta ou indiretamente religioso, seja aquele calcado na fé ou revelação, seja o que se propõe alcançar a divindade em uma perspectiva racional ou argumentativa&#8221;, sou, então, ateu.  Se ateu é quem se identifica com a (2) &#8220;doutrina originada no enciclopedismo setecentista, esp. em Holbach (1723-1789), que recusa a existência de Deus, com base em uma concepção materialista e cientificista da realidade&#8221; ou quem se identifica com o (3) &#8220;pensamento fundamentado em um pessimismo radical que conclui pela descrença em Deus, cuja existência se mostra incompatível com o sofrimento humano (Schopenhauer), ou um instrumento de fuga diante da tragicidade (Nietzsche) e do absurdo (Sartre) da existência&#8221; não sou, então, ateu. </p>
<p>Não gosto da acepção (2) porque ela me parece envolver uma crença ou &#8220;contra-crença&#8221;. A crença em Deus é substituída pela crença no materialismo ou na ciência (bom que o Houaiss foi cuidadoso e se referiu ao &#8220;cientificismo&#8221;). Crença é crença (&#8221;atitude de quem se persuadiu de algo pelos caracteres de verdade que ali encontrou&#8221; &#8211; &#8220;convicção profunda e sem justificativas racionais em qualquer pessoa ou coisa&#8221;). Não vejo diferenças significativas. </p>
<p>Não gosto, também, da acepção (3). Há um sentido de orfandade, de desamparo, que, para mim, denuncia uma crença de fundo. Uma negação de Deus, não por sua simples inexistência, mas por sua falta ou negligência. </p>
<p>No entanto, os sentimentos da tragicidade e do absurdo da existência me acompanham o tempo todo. Esses sentimentos me aproximam da idéia de agnosticismo, ou seja, da &#8220;doutrina que reputa inacessível ou incognoscível ao entendimento humano a compreensão dos problemas propostos pela metafísica ou religião (a existência de Deus, o sentido da vida e do universo etc.), na medida em que ultrapassam o método empírico de comprovação científica&#8221;.</p>
<p>Sou cientista, ainda que estabelecido na periferia da periferia da ciência &#8211; um cientista social que se identifica com as metodologias qualitativas &#8211; e tenho em alta conta o método científico. É evidente que a idéia de &#8220;comprovação científica&#8221; deve ser relativizada. O critério da falseabilidade é muito mais adequado. De qualquer forma, penso que a realidade última nos é inacessível. Como Max Weber, penso que a realidade sempre será infinitamente mais complexa do que seremos capazes de compreender com o nosso intelecto limitado. A experiência religiosa (e a partir daqui não posso reivindicar o apoio de Weber, que não tratou disso), entendida como compreensão absoluta da EXISTÊNCIA (existência de tudo o que está diante de nossos sentidos), é a mais incompreensível de todas. </p>
<p>Para Joseph Campbell, as religiões institucionalizadas funcionam como anteparos à verdadeira experiência religiosa. A verdadeira experiência religiosa é disruptiva, caótica. Tem a ver com o contato com o inefável, com o incognoscível, com o completo absurdo da existência de tudo que existe. Para qualquer ordem estabelecida, a experiência religiosa autêntica é ameaçadora. </p>
<p>É por isso que me coloco contra qualquer religião da certeza, contra qualquer certeza. A certeza é a abdicação do conhecimento. O conhecimento é impossível? Nem sempre, mas o conhecimento último, para mim, é impossível. </p>
<p>Nós, animais humanos, evoluímos achando padrões e regularidades no mundo e a habilidade para reconhecer regularidades e padrões deve ter sido decisiva. Ficamos dependentes. </p>
<p>Tudo o que foi escrito até aqui é para dizer que me espanta (ou irrita) a necessidade atual que as pessoas têm de expor publicamente crenças meramente pessoais. Passo considerável tempo da minha vida no trânsito, me deslocando de carro de um lugar para outro. Entre as músicas do meu pendrive de 8 gigas e as abobrinhas da CBN, olho para os vizinhos de deslocamento motorizado mais ou menos lento. Tenho me espantado com a quantidade de carros que exibem algum emblema religioso. &#8220;Sou feliz por ser católico&#8221;, &#8220;Deus é fiel&#8221;, logomarcas de igrejas, acrônimos religiosos diversos. Qual seria a explicação para tamanha necessidade de dizer publicamente &#8220;acredito nisso ou naquilo&#8221;?  Continua&#8230;</p>
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		<title>Merval não tem cabimento</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Apr 2009 17:02:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carlos Magalhaes</dc:creator>
				<category><![CDATA[Observações Aleatórias]]></category>

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		<description><![CDATA[Ontem, voltando do trabalho, liguei o rádio na CBN e pude ouvir (melhor ouvir do que ser surdo, não é?) o medonho comentário do Merval Pereira, em conversa com o Sardenberg, sobre a canalhice do Jungmann.
Ouça a pérola. 
Até o Sardenberg ficou constrangido. Quase engasgou. Jungmann diz na propaganda do PPS que &#8220;agora o governo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem, voltando do trabalho, liguei o rádio na CBN e pude ouvir (melhor ouvir do que ser surdo, não é?) o medonho comentário do Merval Pereira, em conversa com o Sardenberg, sobre a <a href="http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2009/04/poupanca-e-canalhice-de-raul-jungman.html" target="_blank">canalhice do Jungmann</a>.</p>
<p><a href="http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/merval-pereira/2009/04/29/A-ESTRATEGIA-RADICAL-DO-PPS-DE-ASSOCIAR-MUDANCA-NA-POUPANCA-AO-CONFISCO-DO-COLLOR.htm" target="_blank"><strong>Ouça a pérola</strong></a>. </p>
<p>Até o Sardenberg ficou constrangido. Quase engasgou. Jungmann diz na propaganda do PPS que &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=nNG9xZGF4ns" target="_blank">agora o governo vai mexer na poupança, como fez o governo Collor</a>&#8220;. Essa afirmação é simplesmente mentirosa. Collor CONFISCOU os depósitos bancários dos brasileiros. NÃO EXISTE a menor possibilidade de o atual governo (ou de qualquer outro governo minimamente sério) repetir esse absurdo. </p>
<p>Mas para Merval essa afirmação tem &#8220;cabimento político&#8221;, é do jogo. Ou seja, se é para chutar o governo, vale até a mais deslavada mentira. Notem o prazer mal contido com que ele repete que o governo está &#8220;enlouquecido&#8221; com a fala de Jungmann.</p>
<p>Tamanha cara-de-pau não deixa de ser um talento (pelo menos um talento o Merval Pereira tem). </p>
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